O primeiro-ministro prometeu que assumirá a responsabilidade pelos resultados da concentração das urgências de obstetrícia e acusou “as oposições” de negativismo e “incapacidade de distinguir o escrutínio do Governo do sucesso do país”.
Ontem, na fase final do debate quinzenal no parlamento, Luís Montenegro respondia ao líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, que fez uma intervenção com o objetivo de “puxar por aquilo que é bom” e em que comparou, por várias vezes, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, ao do PCP, Paulo Raimundo, nomeadamente em matéria da revisão da lei laboral.
Hugo Soares questionou também Montenegro sobre a decisão do Governo de concentrar em urgências regionais várias urgências de ginecologia e obstetrícia, citando declarações do anterior primeiro-ministro do PS António Costa e do anterior diretor executivo Fernando Araújo que considerou corroborarem a posição do atual executivo.
“A diferença é que esse Governo não teve a coragem de fazer e este Governo está a ter”, defendeu.
Na resposta, o primeiro-ministro admitiu que, no passado, também foi contra o encerramento da urgência que servia o concelho onde mora, Espinho, mas que tem de reconhecer que a solução atual, a 15 km de distância, “funciona muito melhor”.
“Tenhamos todos a humildade, pelo menos, de aguardar o resultado desta decisão. Eu, como primeiro-ministro, cá estarei para assumir a responsabilidade. Se funcionar, espero que todos possam assumir que o resultado evidenciou uma melhoria da prestação e do acesso. Se não resultar, teremos de assumir também essa responsabilidade”, assegurou.
Montenegro acusou, nesta fase final do debate, a oposição de “muito negativismo”, nomeadamente quanto à capacidade do Governo desenvolver o seu programa e manter o equilíbrio das contas públicas.
“Há muito negativismo nas oposições, há uma incapacidade de distinguir o escrutínio do Governo do sucesso do país: uma coisa é apontar os erros e as omissões do Governo, que é o trabalho da oposição, outra coisa é desejar e contribuir para o sucesso do país”, disse, citado pela Lusa.
O primeiro-ministro recordou que, quando começou a governar há cerca de dois anos, e anunciou descidas de impostos em simultâneo com aumentos do Complemento Solidário para Idosos, dos pensionistas e de acordos de valorização salarial de várias carreias, muitos “disseram que vinha aí o défice”.
“Não veio. Não chegaram a dizer que vinha o diabo, mas andaram perto, se calhar não o disseram, mas desejaram”, criticou, dizendo que o mesmo voltou a acontecer em 2025, com uma execução orçamental já totalmente da responsabilidade do executivo PSD/CDS-PP.
“Esse caminho vai continuar. É verdade, está agora a sofrer alguns abanões que são externos à nossa vontade e que foram situações imprevistas – o comboio de tempestades e o conflito no Médio Oriente. Nós continuaremos esse caminho apesar das dificuldades”, assegurou.
Tal como fez ao longo do debate, Montenegro aproveitou a reta final da discussão no parlamento para defender a importância da revisão da legislação laboral, justificando que o país terá um maior potencial de crescimento e deixou uma pergunta aos deputados.
“Nós somos ou não somos capazes de aumentar ainda mais o salário mínimo nacional? Nós somos ou não somos capazes de aumentar mais o salário médio nacional, nós somos ou não somos capazes de pôr o salário médio mais longe do salário mínimo? Eu respondo: somos capazes, Portugal é capaz, os trabalhadores portugueses são capazes, as empresas portuguesas são capazes”, afirmou.
Quer o primeiro-ministro quer o líder parlamentar do PSD fizeram questão de felicitar o ministro da Defesa e líder do CDS-PP, Nuno Melo, que hoje completa 60 anos.




