Moçambique vacinou mais de 1,7 milhões de pessoas contra cólera em quatro províncias 18

Moçambique vacinou 1,7 milhões de pessoas contra a cólera em cinco dias de campanha em quatro províncias, superando a meta antes prevista, anunciou ontem o Governo, no final da reunião do Conselho de Ministros.

Segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, em cinco dias de campanha, foram vacinadas 1.790.410 pessoas nas províncias de Cabo Delgado e Niassa, no norte, e Sofala e Zambézia, no centro de Moçambique, correspondendo a 102% da população inicialmente anunciada.

As autoridades moçambicanas anunciaram antes que pretendiam vacinar, entre 04 e 08 de fevereiro, contra a cólera, mais de 1.757.229 pessoas em cinco distritos de quatro províncias do país, casos de Niassa, Cabo Delgado, Zambézia e Sofala.

Moçambique registou mais 81 novos casos de cólera no atual surto, em 24 horas, elevando para 4.621 infetados desde setembro, com 62 mortos, segundo dados oficiais.

De acordo com o último boletim da doença da Direção Nacional de Saúde Pública, com dados de 03 de setembro a 07 de fevereiro, do total de 4.621 casos de cólera contabilizados neste período, 1.961 foram na província de Nampula, com um acumulado de 23 mortos, 1.781 em Tete, com 28 óbitos, e 750 em Cabo Delgado, com oito mortos, além de 72 na Zambézia, com um morto.

Só nas últimas 24 horas anteriores ao fecho deste boletim, segundo a Lusa, 106 pessoas estavam internadas com cólera, tendo a taxa de letalidade geral nacional subido para 1,3%.

No surto de cólera anterior, de acordo com os dados da Direção Nacional de Saúde Pública de 17 de outubro de 2024 a 20 de julho de 2025, registaram-se 4.420 infetados, dos quais 3.590 na província de Nampula, e um total de 64 mortos.

O atual surto já ultrapassa neste período o número de doentes em metade do tempo do surto anterior.

Pelo menos 169 pessoas morreram em 2025 em Moçambique devido à cólera, entre cerca de 40 mil casos, avançou em 10 de dezembro o ministro da Saúde, Ussene Isse, pedindo às comunidades respeito pelas medidas de higiene individual e coletiva.

O Governo de Moçambique quer eliminar a cólera “como um problema de saúde pública” no país até 2030, conforme o plano aprovado em 16 de setembro em Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões de euros).

O objetivo é “ter um Moçambique livre da cólera como um problema de saúde pública até 2030, onde as comunidades têm acesso à água segura, saneamento e cuidados de saúde de qualidade, alcançados através de ações multissetoriais, coordenadas e informadas por evidências científicas”, disse o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa.