Moçambique recupera parte dos anti-palúdicos desviados do sistema de saúde 141

Moçambique recuperou 5.100 doses dos cerca de 844.860 tratamentos anti-palúdicos desviados em dezembro no armazém central da Machava, província de Maputo, anunciaram hoje as autoridades, alertando que a quantidade é ainda muito reduzida.

Em causa está uma ação conjunta entre a Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos (Anarme), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), que culminou com a detenção de funcionários do armazém central e seguranças, explicou hoje, na Matola, a diretora-geral da Central de Medicamentos e Artigos Médicos, Noémia Escrivão.

“Estavam em conivência com este roubo. E em função da investigação que o Sernic fez, apreendeu em Chimoio [província de Manica] um total de 5.100 tratamentos de antimaláricos”, acrescentou a responsável, ao apresentar os medicamentos apreendidos.

Além dos anti-palúdico foram apreendidos, também na capital provincial de Manica, centro do país, outros medicamentos em comprimidos, igualmente desviados.

“Nós tivemos aqui um desfalque de antimaláricos e esses antimaláricos que recuperámos não são nem metade daquilo que foi desviado. Quer dizer que nós temos ainda quantidades de antimalárico a circular no mercado”, explicou.

De acordo com a Lusa, Noémia Escrivão salientou que o desvio de medicamentos no país alimenta não só o mercado nacional, mas outros países vizinhos, já que a quantidade apreendida em Chimoio, segundo informações colhidas pelas autoridades, “era uma mercadoria que estava a caminho do Maláui”.

“E nós já tivemos informação dos inspetores, de outras autoridades reguladoras dos países vizinhos que em algumas situações inspetivas apreendem medicamentos vindo de Moçambique. Então, é preciso que todas as entidades fiscalizadoras também apertem o cerco porque a saída destes produtos é pelas nossas fronteiras”, alertou.

Segundo a diretora-geral da central de medicamentos, neste momento seis pessoas estão detidas, associadas a este crime, sendo um deles trabalhador do armazém, dois seguranças e os restantes alegados compradores da mercadoria.

“Apelamos a todos, é no mercado informal, é nas clínicas, nas farmácias, se encontramos medicamentos com a descrição ‘Uso exclusivo do Ministério da Saúde’, temos que denunciar e fazer chegar à Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos, fazer chegar essa informação à Central de Medicamentos, para que sejam tomadas as diligências”, continuou.

Para evitar roubos futuros, as autoridades estão agora a usar diferentes formas de prevenção, que incluem um sistema de gestão informatizado, tendo sido, por isso, “possível perceber que houve um desaparecimento” no armazém.

“Nós temos também em todos os armazéns o sistema de videovigilância, o que foi possível verificar com o histórico em que datas o produto foi retirado do armazém e que quantidades foram retiradas”, acrescentou.

Em resumo

Em 15 de janeiro, a autoridade reguladora de medicamentos de Moçambique já tinha anunciado a detenção de três pessoas suspeitas de envolvimento no desvio de anti-palúdicos no armazém central da Machava.

“As quantidades de medicamento desviado são equivalentes a 837.990 tratamentos, avaliados em 42.150.897 meticais [562 mil euros]”, indicava uma nota da Anarme, consultada na altura pela Lusa.

A polícia moçambicana deteve, no dia 22 do mesmo mês, uma mulher na posse ilegal de 19 caixas de medicamentos diversos, em Manica, furtados na semana anterior no armazém.

O ministro da Saúde, Ussene Isse, voltou a declarar recentemente “tolerância zero” ao contrabando de fármacos no país, numa menção aos recentes casos conhecidos de roubos de medicamentos nas unidades sanitárias.