Ministra assume situação “muito crítica” no tempo de espera das urgências 153

A situação nos tempos de espera dos serviços de urgência é “muito crítica” e não deverá melhorar durante esta semana, nomeadamente na região de Lisboa e Vale do Tejo, disse hoje a ministra da Saúde.

“Esta semana é uma situação que é muito critica, porque é o final das festas e das férias e das tolerâncias de ponto. Se, por um lado, vamos ter os nossos profissionais que estavam de férias a voltar, por outro lado também temos muito mais doentes, a verdade é esta, nomeadamente em algumas regiões do país, a entrar nas nossas urgências”, explicou aos jornalistas Ana Paula Martins.

Em declarações à margem de uma visita ao Hospital Distrital da Figueira da Foz, sede da Unidade Local de Saúde do Baixo Mondego (ULSBM), a governante não espera que os tempos de espera nas urgências “possam melhorar significativamente”, durante esta semana, concretamente nos hospitais Amadora-Sintra, Beatriz Ângelo (Loures) e, em Lisboa “o próprio Santa Maria, que está também com muitas dificuldades”.

Segundo a Lusa, Ana Paula Martins vincou que Portugal está “ainda, no meio de uma epidemia de gripe”, num inverno mais severo do que o do ano passado e com vírus mais agressivos em circulação, embora ainda não haja dados concretos sobre se o pico da doença já foi atingido este ano.

“Os nossos virologistas dizem que, possivelmente, estamos mesmo a atingir o pico, mas só saberemos daqui a mais alguns dias, se começarmos a ver o número de infeções, através da rede Sentinela, a baixar”, explicou a ministra.

Ainda sobre a “criticidade dos tempos de espera” nos serviços de urgência, Ana Paula Martins afirmou que esta incide, particularmente, sobre doentes com pulseira amarela (os considerados urgentes), que definiu como “muito frágeis, doentes crónicos, mais seniores, muito frágeis, mesmo”.

A governante notou, por outro lado, que, em Lisboa e Vale do Tejo existe uma população “muito a descoberto de médicos de família”, embora destacando o papel dos cuidados de saúde primários em evitar que mais pessoas se dirijam aos serviços de urgência.

“Os cuidados de saúde primários, durante esta época [de gripe] sazonal, têm estado muito ativos, têm conseguido responder muito bem, mesmo em zonas onde há muita falta de médicos de família, com várias consultas, centenas, milhares de consultas por este país fora”, argumentou a governante.

A ministra da Saúde recusou ainda que os planos de contingência dos hospitais para situações como uma epidemia de gripe estejam só no papel.

“Isso não é verdade. Os planos de contingência têm três níveis e têm sido acionados pelas unidades locais de saúde, de acordo com aquilo que é a dinâmica das situações que vão vivendo dia a dia. E, uma parte das nossas Unidades Locais de Saúde, nomeadamente nestas áreas críticas, já estão no nível três do plano de contingência. O que significa que já não estão a fazer cirurgia adicional, já só estão a atender casos urgentes, em termos cirúrgicos e casos na área da oncologia e a reservar toda a sua capacidade, todas as suas camas, para poder atender os doentes urgentes”, enfatizou.