MF Talks: INFARMED disponível para esclarecer startups sobre regulamentação de apps de saúde 0 188

MF Talks: INFARMED disponível para esclarecer startups sobre regulamentação de apps de saúde

 


02 de junho de 2017

«As startups têm de perceber que estão a desenvolver dispositivos médicos [apps] e que há regulamentação a cumprir. O INFARMED está disponível para ajudar nesse aspeto», explicou Helder Mota Filipe, membro do conselho diretivo do INFARMED, ontem, durante a conferência MF Talks, subordinada ao tema “Digital Health: Os desafios da regulação”.

O membro do INFARMED lembrou, ao longo da sua intervenção, que as empresas tecnológicas se estão a virar para a saúde, existindo, atualmente, uma grande proliferação de apps nesta área, que devem ser encaradas como dispositivos médicos e, por isso, «têm de respeitar a regulamentação existente». «Regulador e regulado estão no mesmo barco, querem que o doente não corra riscos», rematou.

No entender de Helder Mota Filipe, Portugal tem potencial para crescer neste ramo. «Não somos um país altamente industrializado, mas podemos ser fortes na área dos dispositivos médicos eletrónicos», reforçou o key speaker do evento, organizado pela revista Marketing Farmacêutico.

Ainda relativamente às normas que regem a área da saúde digital, Paulo Morais, manager na Follow Reference – Digital Health & E-Business de docente de Gestão de Marketing no IPAM, questionou se faz sentido regular tudo. O orador defendeu, perante uma plateia composta por cerca de 100 pessoas, ser necessário avaliar aquilo que realmente deve ser regulado, «para serem alocados os recursos necessários».

Durante a conferência, que reuniu especialistas das mais diversas áreas da saúde, Bruno Almeida, MD Internal Medicine, e gestor clínico da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), enalteceu a importância das apps na área da saúde, particularmente nos países em desenvolvimento, onde o uso de telemóveis está bastante disseminado.

Também Elsa Frazão Mateus, presidente do Conselho Diretivo da Liga Portuguesa contra as Doenças Reumáticas (LPCDR), reconheceu a importância das aplicações e dos dispositivos digitais na área da saúde, mas lembrou existir baixa literacia em saúde e baixa literacia digital, em Portugal, uma realidade que coloca algumas dificuldades à sua implementação.

A prescrição de aplicações móveis será possível no futuro, admitiu Manuel Carvalho Rodrigues, médico e presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH), realçando que tal apenas será possível se estas apresentarem um selo de qualidade europeu.

Outra questão levantada durante a conferência MF Talks foi a questão dos Big Data. As tecnologias na área da saúde, em particular as apps, permitem a recolha de múltiplas informações junto dos utilizadores, uma realidade que coloca vários desafios, particularmente ao nível da utilização e da propriedade dos dados. Paulo Sousa, country manager da Abbott Diabetes Care, lembrou que os dados individuais pertencem aos doentes, mas que quando se tornam anónimos passam a pertencer ao Sistema Nacional de Saúde e às instituições.

No final do evento, moderado por Nuno Nunes, senior consultant, RHP Consultores, concluiu-se que a saúde digital é uma realidade promissora, que permite uma prática clínica mais integrada, mais partilhada e mais acessível, sendo útil para os utentes e para os sistemas de saúde, podendo, contudo levantar algumas questões, nomeadamente ao nível da complexidade da sua utilização e da proteção de dados.

A conferência MF Talks “Digital Health: Os desafios da regulação” contou com o patrocínio premium da hmR e com o patrocínio da Pharmaplanet; e com o apoio da Católica Lisbon School of Business & Economics, Vilaplana Catering e Simposium Digital Healthcare.

A revista Farmácia Distribuição, o portal Netfarma e a newsletter farmanews são media partners desta iniciativa.

 

Veja aqui o vídeo do evento.

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