Medicamentos: “Os reguladores vão ter de admitir mexidas nos preços mais rapidamente para evitar desabastecimento” 120

Em entrevista ao programa Conversa Capital da RTP Antena 1 e do Jornal de Negócios, João Almeida Lopes, presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), declarou que já se sente o impacto no preço dos transportes, a que se junta o aumento de custos com plásticos, vidros e alumínios que são fundamentais para esta Indústria. Acresce a este facto o impacto das tarifas de Trump e a pressão política para que os preços europeus subam de forma a aproximarem-se dos americanos.

No relativo às ruturas de abastecimento, João Almeida Lopes refere que é uma situação que tem de ser acautelada e admite que possa acontecer pontualmente. Posto isto, ”os reguladores vão ter de admitir mexidas nos preços mais rapidamente para evitar desabastecimento”, declara.

País tem de estar preparado para eventual aumento do preço dos medicamentos

Para o responsável, a maior preocupação neste momento são os custos de transportes e de energia, sendo que o medicamento integra uma cadeia crítica de abastecimento e por isso a distribuição devia ser apoiada.

Pagamento a fornecedores

João Almeida Lopes considera positivo o anúncio feito pela ministra de um reforço de 1.230 milhões para as ULS e Institutos de Oncologia para pagamento de dívidas a fornecedores, admitindo que cerca de 50 a 60 por cento desse valor seja para pagamentos à Indústria.

A divida total do Estado à Indústria Farmacêutica ascende aos 800 milhões de euros.

Governo transfere 1.230 ME para hospitais pagarem dívidas

Gestão de resíduos de medicamentos

A Apifarma está a equacionar entregar ao Governo a gestão de resíduos de medicamentos e embalagens, um sistema criado pela Indústria há 25 anos através da Valormed.

Neste sentido, o presidente da Apifarma rejeita a licença que foi concedida para a gestão de material como seringas, canetas injetáveis e agulhas – que as pessoas usam em casa – nos termos impostos pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Em causa estão as metas que a agência impõe e que Almeida Lopes considera serem impossíveis de alcançar e as consequentes multas que daí resultam. João Almeida Lopes diz que a APA é o “maior bloqueador do desenvolvimento empresarial e industrial em Portugal”.

Acresce ao descontentamento da Apifarma a pretensão da APA de entregar à Indústria Farmacêutica a recolha de medicamentos e outros materiais nos veterinários no âmbito de uma licença para criar uma sociedade para gerir resíduos.