Mais de 100 medicamentos tiveram ‘luz verde’ na Europa em 2025 89

Um total de 104 medicamentos obtiveram aprovação para ser comercializados em 2025 na União Europeia, 38 dos quais com uma nova substância ativa.

“Este é o segundo maior número dos últimos 15 anos”, apenas superado nesse período pelas recomendações de introdução no mercado aprovadas em 2024, adiantou o diretor médico da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), Steven Thirstrup, em conferência de imprensa.

Num balanço da atividade no último ano, o especialista salientou que cerca de 36% dos medicamentos que tiveram `luz verde´ da EMA no último ano contêm uma nova substância ativa que nunca tinha sido autorizada na União Europeia (UE).

A EMA é responsável pela avaliação científica dos pedidos de autorização de comercialização de novos medicamentos. Quando é concedida pela Comissão Europeia, essa autorização é válida em todos os Estados-Membros da UE, assim como na Islândia, Noruega e Liechtenstein.

Segundo a EMA, em causa estão novos medicamentos que representam uma inovação importante ou um contributo para a saúde pública, como o primeiro fármaco para tratar a bronquiectasia não associada à fibrose quística, um tratamento pioneiro para atrasar o aparecimento da diabetes tipo 1 em estádio 3 em crianças e adultos e o primeiro medicamento oral para tratar a depressão pós-parto.

“A depressão a seguir ao parto é uma severa condição de longo prazo que afeta entre 10% e 20% das mulheres que dão à luz”, realçou o especialista da EMA.

Steven Thirstrup salientou, na área da oncologia, a autorização concedida para a comercialização do medicamento Anktiva para o tratamento de adultos com um tipo de cancro da bexiga que apresenta um elevado risco de disseminação, considerado um dos mais comuns na União Europeia e que afeta cerca de 200 mil pessoas por ano.

O regulador europeu recomendou ainda, no último ano, 16 medicamentos para doenças raras, incluindo o primeiro fármaco para tratar a síndrome de Wiskott-Aldrich, uma doença rara e hereditária do sistema imunitário que afeta quase exclusivamente os homens, assim como uma terapia genética para o tratamento de feridas em doentes com uma condição rara que torna a pele muito frágil.

Steven Thirstrup sublinhou também que em 2025 foram aprovadas recomendações para 41 novos medicamentos biossimilares (versões semelhantes a medicamentos biológicos de referência que já foram aprovados), o “maior número de sempre aprovado apenas num ano”, 23 dos quais contendo um anticorpo monoclonal para tratar doenças como a osteoporose e a perda óssea.

Os medicamentos recomendados no último ano pelo regulador europeu destinam-se a várias áreas terapêuticas, entre as quais a oncologia, cardiovascular, dermatologia, endocrinologia, gastroenterologia, infeções, metabolismo e vacinas, entre outras.

Quando um medicamento é autorizado pela Comissão Europeia e prescrito aos doentes, a EMA e os Estados-Membros da UE monitorizam continuamente, como especifica a Lusa, a sua qualidade e a relação entre os benefícios e os riscos, adotando medidas regulamentares quando necessário, que podem incluir alterações na informação sobre os produtos, a suspensão ou retirada de um medicamento do mercado ou a recolha de um número limitado de lotes.