Arrancou ontem formalmente na Farmácia Morais Sarmento, em Lisboa, a campanha ‘Lisboa unida na luta contra o cancro colorretal’, que oferece rastreios gratuitos em farmácias do concelho. A iniciativa é promovida pela MovSaúde – Associação Pela Prevenção da Doença Oncológica, em parceria com a Europacolon Portugal e a Associação Nacional das Farmácias (ANF), com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa (CML).
No total, foram disponibilizados 4 000 kits de rastreio em 131 farmácias comunitárias do município que aderiram à campanha.
O rastreio do cancro colorretal é um dos três rastreios populacionais em vigor em Portugal. No entanto, a presidente da Associação Nacional das Farmácias, Ema Paulino, alerta que “as taxas de adesão são muito baixas”.
O objetivo da campanha passa por demonstrar que, através do envolvimento das farmácias e da articulação com o poder local, é possível “potenciar a divulgação da pertinência deste rastreio junto da população elegível e facilitar não apenas a entrega do kit, mas também a sensibilização de quem deve realizá-lo e de que forma o pode fazer”. Após a recolha da amostra, os casos positivos são encaminhados para uma avaliação posterior pela Europacolon Portugal.
“A nossa intenção é mostrar que esta iniciativa resulta e que, de facto, conseguimos identificar pessoas que, de outra forma, não teriam realizado o rastreio, devendo ser reencaminhadas atempadamente para cuidados médicos”, acrescenta Ema Paulino. Com os resultados obtidos, será possível sensibilizar os decisores políticos e, eventualmente, alargar o modelo a outras autarquias “para abranger uma maior fatia da população”.
Para a vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, Ana Simões Silva, as farmácias assumem-se como “um parceiro estratégico e de proximidade” nas ações de prevenção em saúde pública da CML. A vereadora sublinha que, no caso do cancro colorretal, uma doença “muitas vezes silenciosa” que pode evoluir sem sintomas até fases avançadas, as taxas de rastreio “estão aquém do esperado”.
Quando detetada precocemente, a doença apresenta taxas de sobrevivência superiores a 90%. Já em fases avançadas, “as implicações são gravíssimas para a vida das pessoas”. “Chegar à população através da implementação do rastreio nas farmácias” é precisamente o objetivo da MovSaúde, explica o seu presidente interino, Francisco Morais, acrescentando que “a adesão é uma das nossas principais dificuldades”. Os farmacêuticos, “pela proximidade” aos utentes, “constituem um elo essencial” nesta jornada.
Por último, Sofia Silva, da Europacolon Portugal, garante que os doentes com resultados positivos são acompanhados “até ao fim do ciclo”. A associação tem capacidade para agendar consultas médicas e procedimentos através de protocolos com o SNS, permitindo que as colonoscopias sejam realizadas mais rapidamente.




