Liga Portuguesa Contra o Cancro pede pagamento de baixas a 100% para doentes oncológicos 68

A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) assinala amanhã o Dia Mundial Contra o Cancro, defendendo que a baixa médica para pessoas com doença oncológica seja remunerada a 100% e alertando para o impacto económico profundo que o diagnóstico de cancro continua a ter nas famílias portuguesas.

“As pessoas com cancro não podem continuar a ser penalizadas financeiramente por estarem doentes. A doença não reduz apenas a capacidade de trabalho, afeta profundamente a vida económica, social e familiar. A baixa médica a 100% não é um privilégio, é uma medida de justiça social e de proteção da dignidade humana”, sublinha, em comunicado, o Presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro, Vítor Veloso.

A LPCC considera positiva a recente aprovação da majoração do subsídio para assistência a filho com doença oncológica, que aumenta a remuneração de 65% para 100% do valor de referência. No entanto, sublinha que esta medida representa apenas um primeiro passo e defende que o mesmo princípio de proteção plena seja aplicado às próprias pessoas com doença oncológica.

Todos os anos, a LPCC destina cerca de dois milhões de euros em apoios sociais diretos a famílias em situação de vulnerabilidade económica que veem os seus rendimentos drasticamente reduzidos após o diagnóstico de cancro. Esta realidade demonstra que a proteção social existente continua a ser insuficiente para garantir dignidade, estabilidade e segurança financeira às pessoas com cancro e aos seus cuidadores.

Campanha ‘Unidos Por Cada Um’ 

No Dia Mundial do Cancro, a LPCC associa-se à campanha ‘Unidos Por Cada Um’, da União Internacional de Controlo do Cancro (UICC), a maior e mais antiga organização dedicada à luta contra o cancro, da qual a LPCC é membro pleno desde 1983.

Este ano, a campanha entra numa nova fase, promovendo não só a sensibilização, mas também a reflexão e a ação local, com o objetivo de demonstrar que, mais do que clinicamente eficazes, os cuidados centrados nas pessoas devem ser próximos, acessíveis, inclusivos e ajustados às necessidades de cada um.

Em todo o país, os Núcleos Regionais da LPCC desenvolvem respostas centradas nas pessoas, no seu contexto de vida e nas suas necessidades emocionais, sociais e económicas.
Alguns exemplos:

  • Acessibilidade financeira
    No concelho de Coimbra, uma mulher de 60 anos, com cancro da mama metastizado e a realizar quimioterapia paliativa, vivia sozinha e sem recursos económicos suficientes para garantir uma alimentação adequada. A intervenção do Núcleo Regional do Centro da LPCC assegurou apoio alimentar regular, com o envolvimento de voluntários comunitários, respondendo a uma necessidade básica e contribuindo para a redução do isolamento e melhoria do bem-estar emocional.
  • Acesso aos cuidados e continuidade de acompanhamento
    Na Região Autónoma da Madeira, uma mulher de 76 anos, com linfoma e metástases ósseas, viu o seu acesso ao acompanhamento psicológico comprometido após mudar de residência para uma zona sem hospital de referência. A Unidade de Psico-Oncologia do Núcleo Regional da Madeira da LPCC garantiu a continuidade de cuidados através de acompanhamento psicológico ao domicílio, em articulação com os serviços hospitalares.
  • Cuidados para além da terapêutica médica
    No Centro de Dia do Núcleo Regional do Norte da LPCC, um homem de 75 anos, com cancro da próstata metastizado e em cuidados paliativos, encontrou resposta ao isolamento social, apoio emocional e melhoria significativa da qualidade de vida, levando o médico assistente a afirmar que “nenhum medicamento teve um impacto tão positivo como as relações estabelecidas na instituição”. No mesmo espaço, uma mulher de 33 anos, com cancro da mama e sem retaguarda familiar, beneficiou de apoio alimentar, social, psicológico, logístico e de reabilitação, recuperando autonomia, qualidade de vida e integração profissional.
  • Envolvimento significativo de pessoas com experiência de cancro
    Nos Açores, a intervenção do Núcleo Regional dos Açores da LPCC foi decisiva para uma mulher emigrante com dois filhos menores. Acompanhada através de voluntariado, apoio social e psicológico, descreve este acompanhamento como essencial para preservar o equilíbrio emocional, a autonomia e a dignidade ao longo do seu percurso.

    Também no Porto Santo, no âmbito da campanha Outubro Rosa, uma iniciativa da LPCC envolvendo mulheres com experiência de cancro da mama criou um espaço seguro de escuta, autocuidado e valorização da identidade para além da doença, com impacto duradouro na autoestima, confiança e bem-estar das participantes.

Figuras públicas associam-se à campanha

A atriz e apresentadora Sofia Ribeiro, a chef Tia Cátia, o ator Gonçalo Diniz, a escritora Virginia Lopez e a nutricionista Iara Rodrigues são algumas das figuras públicas que se associam à campanha nacional da LPCC ‘Unidos Por Cada Um’.

No âmbito da campanha, a LPCC relançou o desafio ‘De Pernas para o Ar – Ninguém enfrenta o cancro sozinho’, agora transformado num movimento coletivo. O desafio convida pessoas que vivem ou viveram o cancro a partilhar um vídeo com a sua experiência e a nomear três pessoas que foram fundamentais no seu percurso. Quem acompanhou alguém com cancro é igualmente incentivado a partilhar o seu testemunho.

A LPCC apela ainda à participação de escolas, instituições de saúde, empresas, autarquias e grupos de voluntários, desafiando-os a aderir à campanha através de iniciativas como a criação de murais colaborativos ou a promoção de concursos de desenho, promovendo uma abordagem coletiva e participativa à temática do cancro.

Saiba mais sobre a campanha AQUI