Investigadores procuram marcadores genéticos que tornam pessoas susceptíveis ou resistentes ao covid-19 211

Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), da Universidade do Porto, vão procurar marcadores genéticos em indivíduos do Norte do país com o intuito de perceber o que os torna mais suscetíveis ou resistentes à infeção pelo SARS-CoV-2.

Este é um dos 55 projetos apoiado pela 2ª edição da linha de financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) RESEARCH 4 covid-19, que visa responder às necessidades do Serviço Nacional de Saúde e que na sua 1ª edição apoiou 66 projetos. Para além disso, a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-Norte) integra este projeto, financiando com 40 mil euros.

A investigação consiste em avaliar os marcadores genéticos de mil indivíduos que estiveram infetados e de mil indivíduos em que o teste à covid-19 “em dado momento deu negativo”.

Os investigadores vão caracterizar um “array”, técnica de diagnóstico que permite “ao mesmo tempo e com uma quantidade mínima de amostra classificar o indivíduo quanto às suas variantes genéticas num milhão de locais do genoma”.

Esta técnica permite que os estudos deixem de ser “enviesados” e permitirá “enriquecer o poder estatístico” dado o elevado número de pessoas que vão participar.

O objetivo é, sempre que possível, fazer a correlação entre pessoas que coabitam, mas que não partilham informação genética.

“Os indivíduos não podem estar relacionados [geneticamente] porque assim também estávamos a enviesar o estudo. Vamos tentar fazer no mesmo agregado familiar, ou seja, pessoas casadas ou que moram juntas. Portanto, vamos tentar perceber porque é que determinada pessoa deu negativo no teste, mas esteve exposta ao vírus porque partilha habitação com uma pessoa que esteve infetada”, explicou a investigadora Luísa Pereira, na nota divulgada.

A cientista explicou ainda que a expectativa dos investigadores, nos próximos seis meses, é conseguir “identificar alguma variante genética que seja estatisticamente mais frequente no grupo de pessoas infetadas e o oposto”, por forma a permitir, por um lado, perceber o que contribui para a suscetibilidade e por outro, para a resistência ao novo coronavírus.

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