A cada segundo, a dispensa de Medicamentos Genéricos (MG) nas farmácias comunitárias gerou uma libertação de recursos de 21,13 euros, o equivalente a 1267 euros por minuto, 76 mil euros por hora e mais de 1,8 milhão de euros por dia para as famílias portuguesas e para o Estado.
Em 2025, os MG permitiram alocar à saúde um financiamento superior a 666 milhões de euros, menos 4,1 milhões euros do que em 2024, o que corresponde a uma ligeira quebra de 0,6%. Este valor, segundo um comunicado conjunto da Associação Portuguesa de Medicamentos pela Equidade em Saúde (EQUALMED) e da Associação Nacional das Farmácias (ANF), sugere uma relativa estabilização dos recursos libertados pelos MG, tendo em conta a trajetória crescente que tinha vindo a aumentar todos os anos desde 2018. Ainda assim, entre 2011 e 2025, os MG já permitiram libertar mais de 7,2 mil milhões de euros.
Estes são dados da Cientis e do contador online no site da EQUALMED, lançado em 2020 através de uma parceria entre a ANF e a EQUALMED que, em 2026, já regista até hoje um valor superior a 164 milhões de euros.
“No atual contexto geopolítico, em que as cadeias de abastecimento são pressionadas, os medicamentos genéricos assumem-se como tecnologias estratégicas para a resiliência do Serviço Nacional de Saúde”, refere a EQUALMED, representada pelo seu presidente, João Paulo Nascimento, acrescentando que “tendo em conta o papel determinante no acesso a medicamentos essenciais e na promoção da equidade em saúde, os MG são indispensáveis, especialmente quando o sistema de saúde é pressiononado perante o aumento contínuo da despesa. Neste sentido, estes medicamentos mais custo-efetivos são determinantes na redução de desigualdades, no aumento da adesão à terapêutica e na resposta à crescente longevidadade num contexto de maior prevalência das doenças crónicas. Ao nível de abastecimento, contribuem para mitigar ruturas e reforçar a segurança no fornecimento de medicamentos essenciais, promovendo simultaneamente um mercado farmacêutico mais competitivo. No entanto, a concretização efetiva destes benefícios depende de políticas que incentivem um ecossistema previsível, competitivo e sustentável, capaz de valorizar a produção e garantir que o acesso equitativo ao medicamento não se torna instável, mas uma escolha estratégica e sólida para o futuro da saúde”.
Para Ema Paulino, presidente da ANF, “os resultados alcançados em 2025, que indicam que a dispensa de medicamentos genéricos nas farmácias comunitárias permitiu gerar uma poupança estimada de mais de 666 milhões de euros para as famílias e para o Estado, confirmam o contributo decisivo dos genéricos para a sustentabilidade do sistema de saúde e para o acesso dos cidadãos às terapêuticas”.
Porém, sublinha que “é agora fundamental avançar com a revisão do modelo de incentivos à dispensa de medicamentos genéricos nas farmácias comunitárias, em linha com as orientações do Orçamento do Estado para 2026, de forma a reforçar o crescimento da sua quota de mercado e continuar a gerar poupanças para o país. A evidência internacional demonstra que os incentivos às farmácias são determinantes para aumentar a utilização de medicamentos genéricos, sendo por isso essencial valorizar o seu papel no atual contexto, incluindo na resposta aos desafios da disponibilidade do medicamento.”
Ema Paulino acrescenta ainda que “as farmácias comunitárias são uma rede de proximidade essencial, garantindo o acesso da população aos medicamentos em todo o território. O farmacêutico assume um papel central na promoção do uso responsável do medicamento, esclarecendo os cidadãos e incentivando a utilização de medicamentos genéricos, contribuindo diretamente para a adesão à terapêutica e para a sustentabilidade do sistema de saúde.”
O contador do valor gerado com os MG pode ser consultado, em tempo real, aqui.
Segundo a Health Market Research (HMR), em 2025, foram dispensadas mais de 118 milhões de embalagens de MG nas farmácias comunitárias, o que corresponde a um crescimento de 3,05% face ao ano anterior.




