Farmácias e vacinas: “Atrasos significam mortes todos os dias” 778

Os exemplos internacionais da participação das farmácias comunitárias no esforço global de vacinação anti-covid são múltiplos. Por exemplo, na Austrália há a possibilidade de envolvimento das farmácias na vacinação, nos Estados Unidos e em Inglaterra as farmácias poderão vacinar contra a covid-19, já em França, os farmacêuticos foram identificados como um dos grupos com prioridade no acesso às primeiras doses das vacinas enquanto profissionais de saúde. 

E em Portugal? 

Apesar da carta conjunta divulgada pela ANF, pela AFP e pela OF, na qual reiteraram a disponibilidade das farmácias e dos farmacêuticos para integrarem o Plano de Vacinação e contribuírem para vacinar os portugueses, o facto é que o que se sabe até agora acerca da estratégia de vacinação não inclui as farmácias comunitárias. É certo que se refere que existe a possibilidade, algumas vezes avança-se com semicertezas, de que venham a ser incluídas em fases posteriores. Quais e quando, permanecem mistérios. 

Nuno Flora, secretário-geral da ANF, não tem dúvidas: “Apesar da complexidade que o processo de vacinação contra a covid-19 apresenta, os farmacêuticos e as farmácias encontram-se cientificamente preparados para desempenhar o seu papel no mesmo, fruto da experiência de administração de mais de um milhão de vacinas e injetáveis anualmente, há mais de 12 anos”. Para o responsável da ANF, é incompreensível que Portugal, tendo uma das melhores redes de farmácias da Europa, com mais de 5.000 farmacêuticos habilitados para administrar a vacina, não utilize esta capacidade instalada para executar o Plano de Vacinação covid-19″. 

O farmacêutico comunitário Henrique Santos vai mesmo mais longe, afirmando que “só as farmácias têm capacidade logística para a gestão das vacinas. Isto significa que basta utilizar a capacidade técnica das farmácias e os conhecimentos dos farmacêuticos para acionar um plano logístico de distribuição de vacinas a todas as partes de Portugal. Foi o que muitos países desenvolvidos decidiram”. 

Sobre a questão logística, Nuno Cardoso, Presidente da ADIFA, deixa claro que “o setor da distribuição farmacêutica de serviço completo, em concreto os Associados da ADIFA, dispõe de know-how, soluções logísticas e capacidade instalada, como não há igual, para a distribuição de medicamentos e produtos farmacêuticos às farmácias em todo o país”, acrescentando que a associação entende que “será importante assegurar uma operação que diversifique os locais de vacinação, nomeadamente através da vacinação em farmácias”.  

Mesmo no que se refere às questões de conservação das vacinas, o responsável da ADIFA garante não serem um problema: “de acordo com as informações públicas, algumas vacinas contra a covid-19 têm requisitos de conservação similares às restantes (2 a 8 ºC), sendo que mesmo as vacinas com maiores exigências de cadeia de frio podem ser conservadas durante alguns dias na temperatura de frio habitual (2 a 8 ºC). Desta forma, desde que abastecidas pelos seus distribuidores habituais, que asseguram uma distribuição diária e recorrente, as farmácias têm todas as condições para participar na campanha de vacinação”, afirmou. 

A ANF diz aguardar serenamente a informação do Ministério da Saúde sobre a forma de colaboração pretendida, mas Nuno Flora deixa uma certeza: “a nossa disponibilidade para colaborar neste desígnio, com garantias de proximidade, segurança, conveniência, conforto e humanismo, é total”. 

A mesma posição assume a ADIFA, para quem “palavra-chave será planeamento”, pois quanto mais cedo forem envolvidosmaior será a capacidade de adaptação e identificação de possíveis soluções para as condições de armazenamento e transporte para as diversas vacinas contra a covid-19″. No entanto, Nuno Cardoso considera “essencial que as farmácias sejam incluídas no processo de vacinação assim que possível”. 

O farmacêutico Henrique Santos alerta que “se queremos salvar vidas há que acelerar o processo. Atrasos significam mortes todos os dias”. 

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