Farmácia Hospitalar: Lições de 2025 e Caminhos para 2026 190

Chegados ao fim do ano, é altura de fazer balanços e estabelecer metas (para 2026). O NETFARMA pediu a várias instituições do setor farmacêutico que fizessem isso mesmo, destacando conquistas de 2025, falhas ou lições aprendidas durante o ano e apostas para 2026.

A direção da Associação Portuguesa de Farmacêuticos Hospitalares (APFH) considera a consolidação da residência em Farmácia Hospitalar como modelo formativo estruturante uma conquista, mas alerta para as dificuldades na sustentabilidade do acesso à inovação terapêutica verificadas durante o ano passado. Para 2026, a associação espera uma valorização estratégica do farmacêutico hospitalar no sistema de saúde.

Conquistas de 2025 

Avanços na valorização da carreira do farmacêutico hospitalar
“O ano de 2025 ficou marcado por progressos relevantes no reconhecimento da especificidade e da diferenciação técnica do farmacêutico hospitalar. A discussão em torno da carreira, das competências avançadas e da necessidade de enquadramento profissional adequado ganhou maior maturidade institucional, reforçando a perceção do farmacêutico hospitalar como elemento essencial para a qualidade, segurança e sustentabilidade dos cuidados de saúde.”

Consolidação da residência em Farmácia Hospitalar como modelo formativo estruturante
“A residência em Farmácia Hospitalar afirmou-se como um pilar central da formação especializada, permitindo uma preparação mais robusta, homogénea e alinhada com as necessidades reais dos serviços e dos doentes. Este modelo contribuiu para a aquisição de competências clínicas, técnicas e organizacionais avançadas, reforçando a autonomia profissional e a integração efetiva dos farmacêuticos hospitalares nas equipas multidisciplinares.”

Expansão estruturada da consulta farmacêutica
“Uma das grandes apostas para 2026 passa pela consolidação da Farmácia Clínica como componente estruturante dos cuidados de saúde, com expansão da consulta farmacêutica, maior proximidade ao doente e integração formal do farmacêutico nos percursos clínicos, com impacto mensurável em resultados em saúde.”

Falhas ou lições aprendidas

Persistência de constrangimentos estruturais e de recursos humanos
“Apesar dos avanços, manteve-se uma discrepância significativa entre as responsabilidades atribuídas aos Serviços Farmacêuticos e os recursos disponíveis. A escassez de farmacêuticos hospitalares e de condições organizacionais adequadas continua a limitar a expansão plena dos serviços clínicos e a implementação homogénea de boas práticas a nível nacional. A falta de investimento em infraestruturas e equipamentos essenciais às atividades farmacêuticas contribui, significativamente, para Serviços Farmacêuticos que não se coadunam com a Farmácia Hospitalar do século XXI nem com os avanços tecnológicos presentes.”

Ritmo desigual de digitalização e interoperabilidade
“A transformação digital do circuito do medicamento evoluiu de forma assimétrica entre instituições. A falta de interoperabilidade entre sistemas, a coexistência de soluções incompletas e a dependência de processos manuais continuam a representar riscos para a segurança e obstáculos à eficiência.”

Dificuldades na sustentabilidade do acesso à inovação terapêutica
“O acesso a medicamentos inovadores, frequentemente de elevado custo e complexidade, continua a colocar desafios relevantes ao sistema de saúde. Em 2025 tornou-se ainda mais evidente a necessidade de modelos de financiamento, avaliação e utilização do medicamento que conciliem inovação, equidade e sustentabilidade a médio e longo prazo. A criação de plataformas de monitorização de efetividade e segurança de medicamentos inovadores, poderiam servir de alavanca para a sustentabilidade e racionalização dos recursos disponíveis no Sistema de Saúde. ”

Reforço da intervenção do farmacêutico hospitalar na avaliação e utilização de medicamentos inovadores
“O farmacêutico hospitalar assumiu um papel cada vez mais ativo na avaliação de tecnologias da saúde, na definição de critérios de utilização e na monitorização de resultados em contexto real. Esta intervenção foi determinante para uma utilização mais racional, equitativa e sustentável da inovação terapêutica.”

Aproximação à academia e melhoria da formação pré- e pós-graduada
“Observou-se uma maior articulação entre serviços farmacêuticos hospitalares, instituições académicas e associações científicas, contribuindo para uma formação mais alinhada com a prática clínica, para a valorização da especialização e para a atração de novos profissionais para a Farmácia Hospitalar.”

Apostas para 2026

Projetos de investigação e produção de evidência em prática real
“Aumentar a participação de farmacêuticos hospitalares em projetos de investigação clínica, estudos de vida real e iniciativas de avaliação de impacto organizacional e económico, reforçando a produção de evidência nacional e a tomada de decisão baseada em dados.”

Digitalização inteligente e orientada para a segurança do doente
“O investimento em sistemas integrados de prescrição, validação, preparação e administração do medicamento será determinante. A aposta em soluções digitais interoperáveis, com apoio à decisão clínica e análise de dados, deverá contribuir para ganhos claros em segurança, eficiência e qualidade assistencial.”

Valorização estratégica do farmacêutico hospitalar no sistema de saúde
“Em 2026, será essencial reforçar o reconhecimento institucional do farmacêutico hospitalar enquanto profissional de saúde altamente diferenciado, com competências críticas na gestão do medicamento, na avaliação de tecnologias da saúde, na sustentabilidade do sistema e na inovação organizacional. A APFH continuará a apostar no desenvolvimento profissional, na defesa da profissão e na criação de valor para o Serviço Nacional de Saúde.

  1. Digitalização e Inovação: Uso de IA para personalizar tratamentos, telemonitorização, e gestão de dados para decisões mais eficazes.
  2. Medicina Personalizada e Terapias Avançadas: Foco em terapias génicas, celulares e personalização de tratamentos com base em dados genéticos.
  3. Expansão da Atenção Farmacêutica: Atuação em serviços de saúde e bem-estar, acompanhamento de crónicos, testes rápidos e orientação, indo além da dispensação.
  4. Sustentabilidade e Transparência: Implementação de tecnologias como blockchain para
    rastreabilidade de medicamentos, aumentando a segurança e a conformidade.
  5. Gestão Farmacêutica Hospitalar: Melhorar a eficiência e a resposta dos serviços
    farmacêuticos hospitalares, participando ativamente na reorganização do SNS.”