Europa com descidas dos consumos de ecstasy e aumentos de cocaína e cetamina 39

Um estudo internacional sobre vestígios do consumo de drogas em águas residuais de 25 países europeus revela um “declínio acentuado” do consumo de MDMA/ecstasy e um “forte aumento” das deteções de cocaína e cetamina.

Estes dados constam do estudo do grupo SCORE e da Agência da União Europeia Sobre Drogas (EUDA) que engloba análises das águas residuais (através de Estações de Tratamento de Águas Residuais) em 115 cidades europeias de 25 países (23 da União Europeia, mais Turquia e Noruega), para estudar os padrões de consumo de droga dos seus habitantes.

As principais conclusões a que a agência Lusa teve acesso revelaram que os resíduos de MDMA presentes nas águas residuais diminuíram entre 2024 e 2025 nas cidades que comunicaram dados.

Das 78 cidades com dados relativos a 2024 e 2025, 48 (62%) comunicaram uma diminuição das deteções de MDMA, 12 (15%) uma situação estável e 18 (23%) um aumento. O declínio foi mais evidente em cidades da Alemanha, Áustria e Eslovénia mas ainda assim é maior do que o observado em 2020, quando quase metade destas comunicaram uma diminuição durante o encerramento da vida noturna devido à pandemia de covid-19.

Em 2025, os níveis de resíduos de MDMA mais elevados foram registados em cidades da Bélgica, de Espanha, dos Países Baixos e da Eslovénia, tendo estas droga sido detetada em todas as cidades europeias, com exceção de uma (Nova Gorica, Eslovénia).

Quanto à cetamina (ou quetamina, um poderoso analgésico que provoca uma sensação de transe), os níveis detetados aumentaram quase 41% entre 2024 e 2025 nas cidades que comunicaram dados.

Entre as 66 cidades com dados relativos a estes dois anos, 40 (61%) comunicaram um aumento dos resíduos de cetamina, 14 (21%) mantiveram-se estáveis e 12 (18 %) apresentaram uma diminuição.

Em 2025, os resíduos mais elevados foram detetados em cidades da Bélgica, da Alemanha e dos Países Baixos. Nove cidades (na Bélgica, Chipre, Lituânia, Hungria e Eslovénia) não comunicaram resíduos detetáveis de cetamina.

Relativamente à cocaína, o volume global nas águas residuais aumentou quase 22% entre 2024 e 2025 nas cidades que comunicaram dados.

Das 85 cidades com dados relativos a 2024 e 2025, 48 (57%) comunicaram um aumento dos resíduos de cocaína, 21 (25%) mantiveram-se estáveis e 16 (19%) apresentaram uma diminuição. As deteções de cocaína continuam a ser mais elevadas nas cidades da Europa Ocidental e do Sul, em especial na Bélgica, em Espanha e nos Países Baixos.

No que toca à canábis, a droga mais consumida em toda a Europa, continuam a ser observadas tendências divergentes.

Das 63 cidades com dados relativos a 2024 e 2025, 21 (33%) cidades comunicaram um aumento nas deteções do metabolito de canábis (THC-COOH), 28 (44%) uma diminuição, enquanto 14 (22%) permaneceram estáveis.

As cargas mais elevadas foram encontradas em cidades da Europa Ocidental e Central, em especial na Alemanha, nos Países Baixos e na Eslovénia.

O nível de resíduos de anfetaminas variou entre os locais do estudo, com os mais elevados a serem registados em cidades do norte e do centro da Europa (Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Países Baixos, Suécia e Noruega), valores muito mais baixos foram encontrados em cidades do sul (Itália, Chipre e Turquia).

Três cidades de Portugal (Lisboa, Porto e Almada) e da Eslovénia não comunicaram qualquer deteção de cargas de anfetamina em 2025.

Das 82 cidades que dispõem de dados sobre os resíduos de anfetamina para 2024 e 2025, 36 (44%) comunicaram um aumento, 27 (33%) uma diminuição e 19 (23%) permaneceram estáveis.

As metanfetaminas, tradicionalmente concentradas nas cidades da Chéquia e da Eslováquia, estão agora também presente em cidades da Alemanha, Espanha, Chipre, Lituânia, Países Baixos, Noruega e Turquia.

Das 80 cidades com dados relativos a 2024 e 2025, 37 (46%) comunicaram um aumento, 28 (35%) uma diminuição e 15 (19%) mantiveram-se estáveis.

A análise das águas residuais detetou flutuações nos padrões semanais de consumo de drogas ilícitas, com mais de 75% das 115 cidades a apresentarem resíduos mais elevados de cocaína e MDMA no fim de semana e quase metade delas cargas mais elevadas de cetamina.

Em contrapartida, os resíduos de anfetamina, metanfetamina e canábis (THC-COOH) foram detetados de forma mais uniforme ao longo da semana.

O estudo analisou amostras diárias de águas residuais entre março e maio de 2025, em que foram analisadas as águas residuais de cerca de 72 milhões de pessoas para detetar vestígios de cinco drogas estimulantes (anfetamina, cocaína, metanfetamina, MDMA e cetamina), bem como de canábis.