Estudo revela novos fatores para virulência de bactéria multirresistente 28

Da esquerda para a direita, Laura Maria Alcântara, Ana Eulálio, Inês Rodrigues Lopes e Miguel Mano. Créditos: CNC-UC.

Novos fatores que explicam a virulência elevada de uma bactéria multirresistente considerada uma das principais causas de doença hospitalar e comunitária foram revelados num estudo liderado pela Universidade de Coimbra (UC), hoje divulgado.

Microscopia de fluorescência de células epiteliais humanas infetadas com um mutante de S. aureus (os núcleos das células humanas estão assinalados a rosa e S. aureus a verde). No estudo em causa, este mutante foi o que apresentou o maior aumento na replicação da bactéria no interior das células.

Liderada pelo Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da UC, uma equipa de cientistas identificou “um conjunto de fatores nunca antes associados à vida intracelular e virulência” da bactéria Staphylococcus aureus.

“Estes novos dados abrem caminho ao desenvolvimento de terapias inovadoras, capazes de eliminar esta população de bactérias, contribuindo, assim, para combater infeções crónicas e recorrentes”, frisou a UC, em comunicado enviado à agência Lusa.

Neste estudo são fornecidas “novas pistas sobre como a bactéria se esconde, sobrevive e se multiplica dentro dos fagócitos não profissionais, células humanas cuja primeira função não é a defesa imunitária e nas quais alguns antibióticos demonstram menor eficácia”.

Segundo a UC, “as infeções causadas por estirpes de Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (ou MRSA) constituem a segunda causa mais comum de morte associada à resistência bacteriana a antibióticos”.

“Atualmente, esta bactéria é responsável por mais de um milhão de mortes por ano e uma das principais causas de doença hospitalar e comunitária”.

A investigadora do CNC-UC e líder do estudo, Ana Eulálio, explicou que “compreender os mecanismos de infeção e adaptação intracelular da bactéria Staphylococcus aureus” permitiu “desvendar como este microorganismo consegue escapar ao sistema imunitário e resistir aos antibióticos, expandindo assim o conhecimento recente sobre a sua biologia e virulência”.

Imagem composta de microscopia de fluorescência de células epiteliais humanas infetadas com S. aureus e da análise de microscopia. As linhas coloridas correspondem ao limite das células humanas.

Neste estudo, foram identificados “73 genes que influenciam fortemente a capacidade de a Staphylococcus aureus invadir, persistir e se multiplicar no interior de células humanas, e até de causar a morte destas células”, tendo sido contemplados, no total, 1.920 mutantes da bactéria.

“Nos últimos anos, tem-se acumulado evidência de que a bactéria Staphylococcus aureus não é apenas um patógeno extracelular [que vive fora das células do hospedeiro], mas que, pelo contrário, consegue estabelecer-se dentro de células humanas, contribuindo para infeções persistentes”, referiu Ana Eulálio.

O artigo está disponível aqui.