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Estudo identifica genes responsáveis por resistência cruzada a vírus

08-Abr-2014

Investigadores portugueses participaram num estudo que mostrou que a reação a determinados vírus é extensível a outros desconhecidos e identificou os genes responsáveis pela resistência cruzada, permitindo controlar a evolução da defesa em problemas como gripe ou sida.

«É muito importante para nós sabermos qual a base genética desta interação, quais os genes que conferem resistência a um dado parasita e estudar como estes afetam a resistência a outros parasitas porque isso permite poder desenhar formas de controlar ou promover a evolução da resistência», disse ontem à agência “Lusa” uma das investigadoras.

Sara Magalhães, do Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, participou no trabalho juntamente com outros cientistas do Instituto Gulbenkian da Ciência e do Institut für Populationsgenetik, na Áustria.

Os resultados da investigação, publicados ontem na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), identificam a base genética de resistência em mosca-do-vinagre a um vírus, mostrando que esta se deve principalmente à ação de três genes com ações cruzadas.

O trabalho permite colocar hipóteses para os humanos pois «trata-se sempre da interação entre um hospedeiro e um parasita, como o vírus da gripe ou a sida», salientou a cientista.

As moscas passam muitas gerações a serem picadas com vírus e os investigadores descobriram os genes que permitem serem mais resistentes, como acontece em muitas das pragas de culturas que se tornam resistentes a pesticidas.

«Ao longo das várias gerações são expostas a uma pressão de seleção a um componente qualquer que as mata muito, e aquelas que sobrevivem são resistentes e têm mais filhos que as outras, passadas várias gerações só temos as que são resistentes», explicou Sara Magalhães.

As moscas começaram a tornar-se mais resistentes a partir da geração 10 ou 12, o que corresponde a 300 dias.

Os cientistas testaram o que fazem as moscas, ou os seus genes com resistência aos vírus, quando expostas a outros vírus, bactérias ou parasitas, se, por exemplo, ficam mais vulneráveis.

«Mostramos que não é isso que acontece e [as moscas] ficam ainda mais resistentes a outros parasitas que nunca viram na vida e mostramos quais os genes que estão por detrás de essa resistência cruzada», avançou a cientista.

E realçou que «o que é interessante é a base genética e depois como esta se traduz na resistência a outros» vírus.

Esta informação pode ser relevante para perceber as características de organismos nefastos para a agricultura que podem tornar-se resistentes a inimigos naturais utilizados para combate-los, mas também a outros.

«Também [é importante] em termos de saúde pública porque estamos sempre a ser atacados por vários parasitas, temos genes que nos conferem resistência a diversos parasitas, e é importante sabermos como se comportam, se conferem resistência a um parasita, relativamente a outros parasitas, que tipo de interação cruzada há nesses casos», resumiu Sara Magalhães.

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