
Investigadores das Faculdade de Medicina (FMUP) e de Farmácia (FFUP) da Universidade do Porto concluíram que a polpa de café apresenta benefícios metabólicos relevantes nomeadamente no controlo do peso, da glicose e da pressão arterial, foi hoje divulgado.
O estudo, que também contou com a colaboração do Laboratório Associado para a Química Verde e da Rede de Química e Tecnologia (REQUIMTE/LAQV), incide sobre a polpa de café, um subproduto frequentemente descartado durante a produção do grão.
Publicado, em fevereiro, na revista científica Antioxidants, “o trabalho demonstrou que a suplementação com polpa de café reduziu o aumento de peso, melhorou os níveis de glicose no sangue, diminuiu a resistência à insulina e atenuou a subida da pressão arterial em animais alimentados à base de uma dieta rica em frutose”, lê-se num comunicado enviada à Lusa.
Segundo a professora da FMUP, Fátima Martel, foram avaliados os efeitos da polpa de café num modelo experimental, no qual se mimetizaram as alterações observadas na síndrome metabólica humana.
Os resultados indicaram que a suplementação com este subproduto contribuiu para atenuar várias dessas alterações, incluindo a acumulação de gordura no fígado e perturbações no metabolismo da glicose.
“Os componentes bioativos da polpa de café atuam de forma integrada sobre as vias metabólicas, inflamatórias e vasculares, revelando-se um potencial funcional relevante na mitigação de múltiplos componentes da síndrome metabólica”, descreve Fátima Martel, citada no comunicado da FMUP.
O estudo destaca, ainda, que este subproduto é particularmente rico em cafeína e compostos fenólicos, associados a uma elevada atividade antioxidante e a efeitos benéficos no combate à inflamação, hipertensão, diabetes e acumulação de gordura.
“A polpa de café pode ser utilizada de diferentes formas, como infusão ou incorporada em alimentos como pães, bolos, bolachas e iogurtes”, descreve a investigadora da REQUIMTE/LAQV Rita Carneiro Alves.
De acordo com a informação partilhada com a Lusa, as equipas de investigação da REQUIMTE e FFUP já desenvolveram bolachas e bebidas com polpa de café que “registaram boa aceitação num painel de avaliação sensorial”.
A introdução da polpa seca de café no mercado da União Europeia foi recentemente autorizada pelas autoridades competentes.
Assim, os investigadores sugerem que a polpa de café poderá evoluir para um recurso multifuncional, capaz de gerar alimentos funcionais e ingredientes tecnológicos.
“Esta transição não só amplia o portefólio de aplicações económicas, como também contribui para práticas agrícolas mais sustentáveis e para a redução do impacto ambiental da produção de café”, concluem os investigadores.
Esta investigação foi realizada no âmbito do projeto COBY4HEALTH, liderado pela REQUIMTE e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.




