“Estamos a utilizar todo o potencial do farmacêutico?” 78

“Estamos a utilizar todo o potencial do farmacêutico?”, questionou o bastonário da Ordem dos Farmacêuticos (OF), Helder Mota Filipe, durante a sessão plenária do VI Congresso de Gestão em Saúde, organizado, no dia 28 de fevereiro, pela Associação de Estudantes do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (AEICBAS), onde refletiu sobre o tema ‘Task Shifting: Papel do Farmacêutico em Mudança’.

Helder Mota Filipe partiu, segundo relatado pela OF, no seu portal, da análise de alguns dados estatísticos sobre o cenário da saúde em Portugal, nomeadamente o aumento da esperança média de vida e o envelhecimento da população, mas com anos de vida saudável abaixo da média europeia, ou crescimento da procura de cuidados hospitalares e a pressão contínua sobre os serviços de urgência.

Neste contexto, o bastonário destacou a atualização da Diretiva 2005/36/CE, que reforça a formação mínima europeia dos farmacêuticos em áreas como farmácia clínica, farmacoterapia, genética e farmacogenómica, imunologia, saúde pública, economia da saúde e competências digitais. Esta revisão, como indicou Helder Mota Filipe, reconhece o farmacêutico como profissional mais clínico, interdisciplinar e integrado em sistemas de saúde digitalizados, reforçando a legitimidade para práticas mais avançadas.

No plano estratégico, o responsável destacou o compromisso da Ordem dos Farmacêuticos com a valorização da profissão farmacêutica, através do reforço do sistema de Desenvolvimento Profissional Contínuo, garantindo atualização permanente de conhecimentos face à evolução científica e tecnológica. Sublinhou ainda a aposta na criação e consolidação de competências farmacêuticas, ou a consolidação das especialidades, como instrumentos estruturantes para assegurar diferenciação técnica, qualidade da intervenção e resposta às novas exigências do setor da saúde.