Encontro A.N.D.A.R.: “É essencial compreender as razões que levam alguém a não querer ser vacinado” 48

Especialistas em saúde alertam para a importância de desconstruir mitos e sensibilizar para a vacinação, em especial para pessoas com artrite reumatoide. Os peritos defendem um reforço da vacinação neste grupo particularmente vulnerável a infeções graves e a complicações associadas.

Este alerta foi deixado no encontro ‘Vacinas: Desafios e Estratégias Atuais’, integrado no Ciclo de Conferências, promovido pela Associação Nacional de Doentes com Artrite Reumatoide (A.N.D.A.R.).

As vacinas já salvaram 154 milhões de vidas em 50 anos e são consideradas uma das invenções mais poderosas da história. No entanto, ganham ainda mais importância para os doentes com artrite reumatoide. O encontro contou com representantes da Direção-Geral da Saúde, Infarmed, Ordem dos Farmacêuticos, Associação Nacional das Farmácias e Sociedade Portuguesa de Reumatologia, para o Painel de Debate com Peritos, e ainda com Paula Pinto, médico pneumologista e diretora do Serviço de Pneumologia da ULS Santa Maria, e Luís Graça, professor de Imunologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

De acordo com os dados do Vacinómetro, 2025 ficou marcado por uma crescente resistência e fadiga vacinal, traduzida numa diminuição significativa da adesão à vacinação contra a COVID-19. A enfermeira Natália Pereira, da Direção-Geral da Saúde, sublinhou, segundo uma nota da A.N.D.A.R.,  que a faixa etária entre os 60 e 70 anos continua a ser uma das mais reticentes à vacinação.

Para contrariar esta tendência, Catarina Dias Santos, do Infarmed, defendeu que “os profissionais de saúde devem dar o exemplo e abrir um canal de comunicação capaz de desmistificar as preocupações e receios dos utentes”.

Os farmacêuticos e as farmácias

Os farmacêuticos assumem um papel central na promoção da vacinação. “As farmácias são um ponto de entrada para milhares de doentes. É essencial compreender as razões que levam alguém a não querer ser vacinado e responder com informação clara, baseada em informação científica”, explicou Ana Paula Mendes, da Ordem dos Farmacêuticos, acrescentando que “todos podemos e devemos ser embaixadores da vacinação”.

Portugal tem uma das mais qualificadas redes de farmácias da Europa, com cerca de 2500 farmácias habilitadas para vacinar utentes, que garantem uma maior proximidade à população, numa alternativa segura, cómoda e de confiança. Para Maria Mendes, da Associação Nacional das Farmácias, é fundamental “preparar os profissionais com informação científica atualizada, garantindo uma comunicação fidedigna com a população”.

Estratégias de comunicação adaptadas

Para as faixas etárias mais jovens, os especialistas defendem estratégias de comunicação adaptadas, recorrendo às redes sociais, influenciadores e criadores de conteúdos, sempre alinhadas com as mensagens das autoridades de saúde. Paula Pinto alerta para a necessidade de combater a desinformação e as fake news, sublinhando a importância de recorrer a fontes credíveis.

Nas pessoas com doenças reumáticas, a vacinação assume uma importância acrescida, sobretudo a partir dos 50 anos, altura em que se verifica uma diminuição da imunidade e um aumento do risco de comorbilidades. As vacinas ajudam a prevenir infeções graves, complicações como AVC e enfarte, bem como o desenvolvimento de resistências microbianas.

Já Fernando Pimentel recomendou que as pessoas com doenças autoimunes sejam vacinadas duas semanas antes do início de terapêuticas imunossupressoras, otimizando a resposta do sistema imunitário.

Além da vacina da gripe e da COVID-19, os especialistas alertam para a importância da vacinação contra o vírus sincicial respiratório (VSR), para adultos com mais de 60 anos ou a partir dos 18 anos com comorbilidades, para a vacina do herpes zoster e a vacina pneumocócica.

Luís Graça abordou ainda o papel das vacinas de RNA, salientando que a resposta à vacinação pode variar consoante a doença, a terapêutica e as comorbilidades de cada pessoa. Ainda assim, reforça que “as vacinas têm uma excelente capacidade de estimular o sistema imunitário”.

Os especialistas foram unânimes em sublinhar que a vacinação continua a ser uma ferramenta segura, eficaz e essencial, especialmente para pessoas com doenças reumáticas, defendendo uma abordagem integrada que envolva profissionais de saúde, farmácias, decisores políticos e a própria sociedade civil.