Quase 8 em cada 10 pessoas (78%) inquiridas num estudo que envolveu cerca de 6.000 adultos de dez países, com mais de 50 anos e com uma doença crónica, temem o impacto da Zona no seu dia a dia, com 72% preocupados com a possibilidade de internamentos hospitalares prolongados. No entanto, mais de metade (54%) diz não ter tido uma conversa informada sobre o tema com o seu profissional de saúde.
Os dados fazem parte de um inquérito realizado junto de um grupo particularmente vulnerável à doença (causada pela reativação do vírus varicela-zoster) e que apresentam uma maior probabilidade de enfrentar complicações mais graves associadas a este problema.
De acordo com o estudo, 42% dos que já tiveram Zona relatam dor intensa com impacto significativo no seu dia a dia, com um terço (33%) a confirmar que os impediu mesmo de trabalhar ou participar em eventos sociais. Números que confirmam a necessidade de mais educação e literacia sobre o risco e o impacto da Zona em adultos com 50 anos ou mais que vivem com determinadas doenças crónicas.
“Estes dados mostram-nos uma realidade preocupante: as pessoas, os doentes, sentem medo do impacto da Zona, mas continuam sem a informação necessária para agir. É urgente aumentar a literacia sobre a Zona para que possamos abordar a doença na consulta com o médico assistente e assumir decisões mais informadas, como prevenir através da vacinação”, afirma, em comunicado, José Albino, representante do Movimento Doentes pela Vacinação – MOVA.
Globalmente, a Zona pode afetar até um em cada três adultos ao longo da vida e pode reativar-se de forma grave em adultos que vivem com doenças crónicas2,3, como doenças cardiovasculares, em que o risco é 34% superior, doença renal crónica (+29% de risco), diabetes (+38%) ou DPOC/asma (+41%).
Apesar da preocupação dos inquiridos com as complicações graves associadas à Zona, o conhecimento sobre o tema não é muito: a associação entre uma imunidade reduzida, as doenças crónicas e a reativação do vírus é ainda bastante baixa. De facto, um em cada quatro (25%) acredita que a sua doença crónica não afeta o seu sistema imunitário, nem o risco de Zona, com quase metade (46%) a desconhecer que pode aumentar o risco de Zona grave.
Uma falta de conhecimento que se estende também a Portugal. Os dados de um inquérito realizado em 2025, mostrou que 40% não se consideram em risco de desenvolver Zona, com a maioria (63%) a confirmar a falta de conhecimento sobre o tema.
Isto apesar de, em apenas um ano – entre julho de 2023 e junho de 2024 -, 62.985 adultos portugueses terem sido diagnosticados com Zona, o que obrigou ao recurso aos cuidados de saúde na sequência deste problema, associado a um elevado impacto na qualidade de vida devido à dor intensa que provoca, podendo mesmo levar à perda de visão e a dificuldades motoras.
“A perceção de risco continua a ser muito inferior à realidade, o que ajuda a explicar o facto da Zona ser ainda subvalorizada, mesmo junto dos doentes crónicos. É fundamental investir em informação clara e acessível, especialmente junto destas pessoas mais vulneráveis. É igualmente imperativo que os doentes crónicos se vacinem”, sublinha José Albino.
Além do impacto na saúde, um episódio de Zona acarreta ainda um ónus económico para o Serviço Nacional de Saúde: o custo anual estimado da doença chega aos 10,2 milhões de euros em custos diretos (7,2 milhões) e indiretos, como o absentismo laboral, associado a um impacto superior a 2,4 milhões de euros por ano.
“A Zona não tem apenas impacto na condição geral da saúde do doente crónico, tem também consequências sociais e económicas relevantes. Reforçar a sensibilização e a prevenção é um investimento na saúde das pessoas, dos doentes crónicos e na sustentabilidade do sistema de saúde. Por isso, o MOVA defende a necessidade urgente da comparticipação da vacina para grupos de risco e que se minimize as desigualdades no acesso”, conclui.




