Doença de Parkinson: Especialistas defendem a prescrição de bem-estar desde o diagnóstico 71

O tratamento da Doença de Parkinson continua excessivamente centrado na administração de medicação, deixando de fora fatores como o exercício físico, a alimentação, o sono, a saúde mental e a conexão social. Esta é uma das principais conclusões do estudo A Holistic Wellness Prescription for Parkinson’s Disease, que contou com a participação da investigadora Josefa Domingos, da Egas Moniz School of Health and Science.

O estudo reforça a necessidade de uma abordagem holística e personalizada no tratamento da doença, integrando o bem-estar como indispensável desde a primeira fase de diagnóstico.

A investigação sublinha que, apesar dos avanços farmacológicos, muitos dos sintomas que afetam a qualidade de vida das pessoas com Parkinson, como a depressão, a ansiedade, os distúrbios do sono, a dor e a fadiga, continuam a ser subvalorizados na prática clínica. A partir de uma análise a diferentes dimensões do bem-estar, os autores demonstram que intervenções como a realização regular de exercício físico, uma alimentação mais cuidada, yoga e meditação e o reforço da interação social estão associadas a melhorias significativas nos sintomas motores e não-motores, bem como na qualidade de vida dos doentes.

O estudo alerta ainda para as desigualdades no acesso a cuidados de saúde, destacando que milhões de pessoas com Parkinson vivem em contextos onde o acompanhamento especializado é limitado ou inexistente. Nestes casos, a ausência de orientação prática sobre estilos de vida mais saudáveis contribui para uma gestão incompleta da doença e para um agravamento evitável dos sintomas. O acesso a cuidados neurológicos é um dos exemplos concretos identificados, com cerca de 80% da população mundial a residir em países onde a disponibilidade destes serviços é ainda limitada.

Josefa Domingos da Egas Moniz School of Health & Science

“É fundamental repensarmos o modelo de cuidados em casos de Parkinson. O acesso ao bem-estar não pode ser apenas uma abordagem alternativa, mas sim uma componente essencial no tratamento destes pacientes. Integrar estas dimensões nos seus cuidados clínicos pode capacitá-los a terem um papel mais ativo na gestão da sua saúde”, afirma, em comunicado, Josefa Domingos, investigadora e professora da Egas Moniz School of Health & Science.

A Egas Moniz School of Health & Science colaborou ainda, através da participação das investigadoras Josefa Domingos e Catarina Godinho, no desenvolvimento do Manual de Atividade Física Adaptada para Pessoas com Doença de Parkinson, publicado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), um recurso fundamental para capacitar os profissionais na prescrição e implementação de exercício físico adaptados a doentes com Parkinson.