Diretor da OMS diz que falta de profissionais de saúde é comum no espaço europeu 122

O diretor regional para a Europa da Organização Mundial da Saúde (OMS), Hans Kluge, afirmou ontem no Porto que a falta de profissionais de saúde é um problema comum no espaço europeu.

“Eu diria que é um dos dois maiores problemas que todos os 50 países enfrentam. É um pouco paradoxal, porque em números absolutos a região nunca teve tantos médicos e enfermeiras, mas é por causa da demografia, ou seja, a população a envelhecer”, afirmou o responsável à margem da conferência ‘Futuro da Saúde na Europa’, que decorreu no Porto.

Segundo Hans Kluge, em 2050, na Europa “uma em cada três pessoas terá 60 anos ou mais”, defendendo, por isso ser “muito importante apreciar, valorizar os médicos e as enfermeiras”, lamentando que, “no início da pandemia, todas as pessoas que vieram à rua aplaudiam e agora tudo isso está um pouco esquecido”.

O responsável defendeu também que manter os trabalhadores de saúde “não tem sempre de custar dinheiro, pode ser, por exemplo, dar condições de trabalho, ter horários flexíveis, se forem mulheres, médicas ou enfermeiras, que seus filhos estejam a ser bem cuidados e também há o problema da saúde mental”.

“Temos um problema com a saúde mental nos serviços de saúde em toda a região europeia, porque há muita pressão”, sublinhou.

Kluge apontou também a introdução da Inteligência Artificial no setor “não para substituir médicos e enfermeiras, mas, por exemplo, para reduzir os trabalhos administrativos que muitos trabalhadores de saúde têm, para que possam fazer o que fazem melhor, expressar a empatia, olhar para o paciente”.