Convenção da saúde alerta que cortes no SNS já estão a “acontecer em todo o país” 58

A Convenção Nacional da Saúde (CNS) manifestou-se contra os “cortes administrativos” que estão a “acontecer em todo o país” na atividade assistencial do SNS, alertando que vão provocar mais atrasos nos diagnósticos e tratamentos.

“Esses cortes já estão a acontecer em todo o país, traduzindo-se em atrasos no diagnóstico, tratamentos adiados e doentes sem resposta atempada, o que agrava a ansiedade e a insegurança de milhares de pessoas”, alertou a plataforma criada em 2018 e que reúne cerca de 170 entidades dos vários setores, entre as quais associações de doentes.

Na terça-feira, de acordo com a Lusa, a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS) negou ter dados instruções aos hospitais no sentido de reduzir a atividade assistencial, assegurando que as orientações emitidas “foram no sentido contrário”.

O esclarecimento da DE-SNS surgiu após as críticas feitas pela Ordem dos Médicos sobre “a orientação para travar, em 2026, o aumento de consultas e cirurgias nos hospitais e limitar o reforço de recursos humanos e financeiros necessários”.

A direção liderada por Álvaro Almeida afirmou ser “falso que tenha sido sequer sugerido, e muito menos dadas quaisquer instruções, no sentido de reduzir a atividade assistencial, seja ao nível de cirurgias, consultas ou de qualquer outra linha de atividade”.

Em comunicado ontem divulgado, a CNS referiu que os “números não deixam dúvidas”, indicando que, segundo dados divulgados em fevereiro, no final de 2025, um total de 1.088.656 utentes estavam a aguardar uma consulta de especialidade e 264.615 integravam a lista de espera para cirurgia.

Depois de se ter reunido de urgência devido à “gravidade da situação”, a organização salientou que tem alertado para o “subfinanciamento estrutural” do Serviço Nacional de Saúde (SNS), um “défice que se acumula há anos” que é “inaceitável” que seja agora amplificado com novos alegados cortes.

Perante isso, a plataforma desafiou a DE-SNS a garantir, de “forma clara e imediata”, que estão assegurados os meios administrativos e financeiros necessários para manter a resposta assistencial e para “proteger o acesso atempado” dos utentes aos cuidados de saúde.

Segundo adiantou, a preocupação com os alegados cortes na atividade do SNS “é transversal” e chega das associações que representam doentes, dos profissionais de saúde e da sociedade civil.

“Cortar consultas, cirurgias ou outros cuidados de saúde num contexto de crescente procura não é uma opção neutra: é uma decisão com consequências humanas diretas”, alertou ainda a CNS, que exigiu “respostas urgentes” perante os efeitos que estão a provocar nos utentes.