Cientistas criam insulina híbrida para o tratamento da diabetes 332

De acordo com um estudo realizado por cientistas da Universidade de Ciências da Saúde de Utah, publicados na revista da especialidade Nature Structural and Molecular Biology, foi criada uma versão minimalista e híbrida de insulina, a partir da hormona humana e de um caracol marinho, que pode vir a melhorar o tratamento da diabetes.

Os cientistas verificaram que a insulina venenosa destas espécies de caracóis de cone que vivem nos recifes de corais, como a “Conus geographus”, libertam na água um tipo de insulina que causa choque hipoglicémico, inibindo os movimentos das suas presas. Este tipo de insulina tem muitos traços bioquímicos em comum com a insulina humana.

Por isso testaram a insulina híbrida em ratazanas, que os investigadores chamam de mini-insulina, esta e interagiu com os recetores de insulina com o mesmo vigor com que faz a insulina humana.

A diferença é que a insulina híbrida atua mais rapidamente do que a administrada pelas bombas de insulina, dispositivos eletrónicos que libertam pequenas quantidades de insulina durante o dia conforme as necessidades dos doentes diabéticos insulinodependentes.

Segundo Helena Safavi, uma das coautoras do estudo, uma insulina que atue mais rápido poderá diminuir o risco de hiperglicemia (concentrações elevadas de açúcar no sangue) e outras complicações sérias da diabetes, assim como pode melhorar o desempenho das bombas de insulina e de dispositivos que reproduzem o funcionamento do pâncreas na monitorização dos níveis de glucose no sangue.

Contudo, a equipa de cientistas descobriu que a insulina do caracol de cone tem falta de um componente que leva a que a insulina humana possa estar armazenada no pâncreas antes de ser libertada no organismo. Em contrapartida, a insulina do caracol de cone está pronta para trabalhar no organismo quase imediatamente.

Para produzirem a insulina híbrida, os investigadores usaram técnicas de biologia e de química para isolar quatro aminoácidos que ajudam a insulina do caracol de cone a ligar-se ao recetor humano de insulina. Versões modificadas destes aminoácidos foram integradas numa versão modificada da molécula de insulina humana.

“Com poucas substituições estratégicas, gerámos uma estrutura molecular de insulina potente e rápida, e a mais pequena até à data”, explicou Danny Hung-Chieh Chou, um dos cientistas do estudo, acrescentando que as dimensões moleculares da insulina híbrida permitem que possa ser facilmente sintetizada e tornar-se num “primeiro candidato ao desenvolvimento de uma nova geração de terapêuticas de insulina”.

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