O evento ‘Caminhos da Evolução na Indústria Farmacêutica’, que aconteceu, em Lisboa, no dia 26 de março, reuniu profissionais com percursos distintos e experiências relevantes em diferentes áreas do setor. Partilharam-se histórias sobre percursos profissionais, evolução das carreiras, liderança e futuro da indústria farmacêutica.
Nesta iniciativa do Fórum de Discussão de Marketing Farmacêutico, com o apoio do Fórum de Discussão de Assuntos, aconteceu uma mesa-redonda dedicada aos desafios atuais e futuros da Indústria onde foi possível refletir sobre a forma como as carreiras evoluíram ao longo dos últimos anos e quais serão as competências mais valorizadas no futuro. Com moderação de Ana Charneca, coordenadora do Fórum de Discussão de Marketing Farmacêutico, participaram na mesa-redonda Sérgio Alves, Operations Director Portugal na Ascendis Pharma, Sofia Ferreira, Country Lead Portugal, UK & Ireland, Nordics na Organon, Catarina Vaz, Medical Manager na Sandoz e Hugo Martinho, Medical & Regulatory Affairs Director na AstraZeneca.
Carreiras: percursos cada vez menos lineares
Um dos temas centrais da discussão, segundo referiu a SRSRA-OF, em comunicado, foi a evolução das carreiras na Indústria Farmacêutica. Os percursos profissionais são hoje menos lineares e mais dinâmicos, sendo cada vez mais comum a transição entre áreas, funções e responsabilidades ao longo da carreira. Neste contexto, foram destacados como fatores críticos o investimento em formação complementar, a aprendizagem contínua e a construção de uma rede de contactos sólida. Mais do que o currículo ou a experiência técnica, foi também salientada a importância de cada profissional conseguir mostrar a sua identidade, valores e forma de trabalhar, fatores que muitas vezes fazem a diferença em oportunidades de crescimento.
Outro ponto amplamente discutido foi a importância das falhas e dos momentos de dificuldade no crescimento profissional. Os desafios, as decisões difíceis e os momentos de frustração foram identificados como alguns dos principais motores de desenvolvimento de competências de liderança, resiliência e capacidade de decisão. Ter um propósito claro foi apontado como particularmente importante em momentos de mudança de função, empresa ou área profissional.
Liderança: coerência, impacto e serviço
A liderança foi descrita como um dos maiores desafios da carreira, mas também como uma das experiências mais gratificantes. A ideia de que liderar é, acima de tudo, um serviço à equipa e à organização foi um dos pontos mais marcantes da discussão. A coerência nas decisões, a transparência na comunicação e a capacidade de explicar o “porquê” das decisões estratégicas foram identificados como fatores fundamentais para garantir o alinhamento das equipas e das organizações.
Liderar implica tomar decisões difíceis, lidar com incerteza e assumir responsabilidade pelo impacto das decisões nas pessoas e no negócio. No entanto, é precisamente esse impacto nas pessoas, nas equipas e nas organizações que torna a liderança tão desafiante e simultaneamente tão gratificante.
Transformação da Indústria Farmacêutica
A discussão abordou também a transformação profunda que a Indústria Farmacêutica está a atravessar. A digitalização, a inteligência artificial, a utilização de dados do mundo real e a medicina personalizada estão a transformar a forma como os medicamentos são desenvolvidos, avaliados e disponibilizados aos doentes. A inteligência artificial foi destacada como uma ferramenta cada vez mais relevante, nomeadamente na geração de evidência e no suporte à tomada de decisão.
Por outro lado, os desafios de acesso ao mercado continuam a ser uma das maiores preocupações do setor, especialmente num contexto de instabilidade política e económica internacional. Neste contexto, foi reforçada a necessidade de encarar o medicamento como investimento e inovação, e não apenas como um custo, sob pena de a Europa perder competitividade nos próximos anos.
O futuro: competências e desafios
Olhando para o futuro, espera-se uma indústria cada vez mais orientada para dados, tecnologia, inovação e valor para o doente. Neste contexto, ainda de acordo com a SRSRA-OF, os perfis profissionais mais valorizados serão aqueles que combinam conhecimento científico ou técnico com competências de comunicação, pensamento estratégico, adaptabilidade e capacidade de trabalhar em equipas multidisciplinares.
Conclusão
Este encontro permitiu reforçar a ideia de que a Indústria Farmacêutica se encontra num momento de grande transformação, não só ao nível científico e tecnológico, mas também ao nível das carreiras, das competências e dos modelos de liderança. Num setor cada vez mais complexo e em constante evolução, a capacidade de adaptação, o propósito, a liderança e o impacto nas pessoas e na sociedade continuarão a ser os principais fatores diferenciadores dos profissionais e das organizações.




