Canábis: a terapia complementar nos cuidados paliativos em destaque nas Jornadas do NEMPal 220

As terapias complementares nos cuidados paliativos foram o principal tema de discussão das IV Jornadas do Núcleo de Estudos Medicina Paliativa (NEMPal) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), que ocorreu a 19 de março, na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, no Porto.

Durante o simpósio promovido pela Tilray Medical, “A utilização terapêutica da canábis”, a coordenadora da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital Nossa Senhora da Arrábida e principal oradora, Ana Bernardo, explicou que as terapias “out of the box” em cuidados paliativos assumem uma grande pertinência atualmente, uma vez que “a Medicina não tem tido resposta para todos os problemas de saúde. Faz todo o sentido estarmos abertos a outras intervenções que possam vir dar sentido e melhorar a qualidade de vida dos nossos doentes.” A paliativista esclareceu que, relativamente a esta terapêutica, só é possível definir vantagens caso promovam um melhor conforto num contexto de sofrimento, como o que existe em cuidados paliativos.

Abordando especificamente o uso da canábis, Ana Bernardo considera que, “apesar de não ser para todos, constitui a possibilidade da existência de mais um fármaco à nossa disposição para contribuir para o conforto, controlo sintomático e qualidade de vida. Deve ser delegada para situações em que as outras estratégias terapêuticas, farmacológicas e não farmacológicas, não tenham sido eficazes. Ao considerar esta substância útil para começar a ser prescrita para os cuidados paliativos, defendo que, não sendo uma alternativa, seja uma terapia complementar.”

No que toca à adesão por parte dos doentes a este novo fármaco, a principal oradora do simpósio acredita que passa muito pela vontade dos próprios médicos na apresentação destas estratégias.
“Nós, enquanto médicos, ainda temos um significativo poder, quase místico, na forma como podemos apresentar uma solução para cada problema. Um novo fármaco constitui uma nova arma terapêutica, que pode não curar, mas promover uma vida em pleno, com o menor sofrimento possível, seja ele físico, psicológico, social ou espiritual”, justificou.

No entanto, Ana Bernardo assumiu que um dos problemas relacionados com este fármaco é o facto de não ser comparticipado, tornando-se incomportável para muitos doentes.

A coordenadora espera que daqui em diante, a apresentação deste fármaco à base de canábis faça parte dos encontros científicos dos cuidados paliativos e da dor, de forma que se continue a conhecer esta terapêutica, proporcionar experiências com doentes e contribuir para um crescimento de informação e aplicabilidade do mesmo, com mais bases científicas, para que seja melhor aceite.

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