Associação defende retoma de postos médicos avançados que tiveram bons resultados na covid 94

A Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica (ANTEM) questionou hoje a inexistência de Postos Médicos Avançados nos hospitais com maior afluxo de doentes às urgências, face aos bons resultados obtidos aquando da pandemia da covid-19.

Num comunicado, a que a Lusa teve acesso, o ANTEM recorda que a instalação de um Posto Médico Avançado (PMA) no Hospital de Santa Maria naquela altura, “com o objetivo de assegurar a triagem prévia dos doentes antes da sua entrada no Serviço de Urgência” se revelou “um sucesso inequívoco”, questionando: “Por que razão não foram instalados Postos Médicos Avançados nos hospitais com maior fluxo de pacientes”.

A falta de médicos para assegurar as escalas dos serviços de urgência tem levado a que em vários hospitais, sobretudo na zona de Lisboa e Vale do Tejo, os doentes enfrentem tempos de espera muito prolongados para serem atendidos.

No hospital Amadora-Sintra, doentes urgentes já tiveram de esperar cerca de 20 horas para a primeira observação nas urgências gerais, de acordo com dados do portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Segundo o sistema de triagem, as situações muito urgentes (pulseira laranja) têm um atendimento recomendado nos 10 minutos seguintes à triagem, enquanto os casos urgentes (amarela) são de 60 minutos e os pouco urgentes (verdes) de 120 minutos.

Precisando que o referido PMA permitiu “uma gestão mais eficiente dos recursos hospitalares e uma redução significativa da pressão assistencial”, o ANTEM questiona: “Por que motivo o INEM [Instituto Nacional de Emergência Médica] não voltou a implementar esta solução, comprovadamente eficaz, em contextos de elevada afluência de doentes?”.

A associação questiona ainda a não disponibilização de “macas de catástrofe aos hospitais com maior pressão assistencial, como forma de reforço temporário da capacidade de resposta do sistema”.

“Estas questões assumem especial relevância no quadro da necessária articulação entre o INEM e o SNS, bem como na definição de estratégias sustentáveis de gestão de picos de procura, com impacto direto na qualidade, segurança e eficiência dos cuidados prestados à população”, salienta.

Pelo menos três pessoas morreram esta semana depois de terem ligado para o INEM a pedir socorro e os meios não terem chegado a tempo.

O INEM rejeitou responsabilidades e apontou a falta de meios e a retenção de macas nos hospitais, que prende as ambulâncias e as impede de seguir para outras ocorrências.

A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) já alertou que o sistema de emergência pré-hospitalar é prejudicado pelo funcionamento das urgências hospitalares, defendendo uma solução conjunta para agilizar o socorro e libertar ambulâncias e macas.