“As farmácias devem reforçar a sua participação ativa nos programas de saúde pública” 75

Chegados ao fim do ano, é altura de fazer balanços e estabelecer metas (para 2026). O NETFARMA pediu a várias instituições do setor farmacêutico que fizessem isso mesmo, destacando conquistas de 2025, falhas ou lições aprendidas durante o ano e apostas para 2026.

Para Isabel Cortez, presidente da Associação de Farmácias de Portugal (AFP), “2025 confirmou a centralidade das farmácias comunitárias no sistema de saúde português. Num ano marcado por forte pressão económica, envelhecimento da população e exigências crescentes sobre o SNS, as farmácias demonstraram capacidade de adaptação, proximidade ao cidadão e compromisso com a saúde pública. Ainda assim, persistem desafios estruturais que importa reconhecer para garantir a sustentabilidade futura do setor”.

Conquistas de 2025

  1. Maior reconhecimento, valorização e expansão dos serviços farmacêuticos
    “Em 2025, assistiu-se a um reforço significativo do reconhecimento institucional das farmácias comunitárias enquanto parte integrante do SNS. A consolidação e expansão de serviços como a vacinação sazonal contra a gripe e a COVID-19, a dispensa em proximidade de medicamentos hospitalares, a dispensa de bombas infusoras de insulina e a assinatura de um protocolo para a administração assistida de metadona contribuíram para aproximar os cuidados de saúde das populações e aliviar a pressão sobre o SNS.”
  2. Consolidação do papel das farmácias na prestação de cuidados de proximidade
    “As farmácias afirmaram-se cada vez mais como o primeiro ponto de contacto do cidadão com o sistema de saúde. O seu contributo na prevenção da doença, no acompanhamento farmacoterapêutico e na promoção da literacia em saúde ganhou maior reconhecimento, com avanços no reforço do papel clínico do farmacêutico, nomeadamente no tratamento de afeções clínicas ligeiras (recomendação da Assembleia da República em março de 2025 para a criação de um projeto-piloto de intervenções terapêuticas em situações clínicas ligeiras nas farmácias comunitárias).”
  3. Resiliência do setor num contexto económico exigente
    “Apesar do aumento dos custos operacionais e das dificuldades estruturais, a rede de farmácias manteve a continuidade do serviço, o acesso ao medicamento e a confiança da população. A sua capilaridade e disponibilidade, incluindo em contextos de assistência farmacêutica permanente, foram determinantes para assegurar cuidados de saúde essenciais em todo o território.”

 Falhas ou lições 

  1. Fragilidade da sustentabilidade económica
    “As margens reduzidas nos medicamentos, associadas ao aumento dos custos e à remuneração insuficiente dos serviços farmacêuticos, comprometendo a viabilidade económica de muitas farmácias, sobretudo em zonas de menor densidade populacional.”
  2. Dificuldade na retenção de talento
    “O setor enfrenta desafios significativos na atração e retenção de farmacêuticos, em resultado de limitações nas condições salariais, nas oportunidades de progressão na carreira e na competitividade face a outras áreas de intervenção farmacêutica.”
  3. Insuficiente articulação com outros profissionais de saúde
    “Persistem fragilidades na comunicação e na interoperabilidade dos sistemas de informação entre farmácias e restantes estruturas de saúde, o que limita a cooperação multidisciplinar e a construção de percursos de cuidados verdadeiramente integrados e orientados para melhores resultados em saúde.”

Apostas para 2026 

  1. Valorização das carreiras e dos serviços farmacêuticos
    “Será essencial investir na formação contínua, na valorização das condições de trabalho e na implementação de modelos de remuneração justos e sustentáveis, que reconheçam o impacto clínico, económico e social da intervenção farmacêutica.”
  1. Integração efetiva das farmácias no percurso de cuidados
    “As farmácias devem reforçar a sua participação ativa nos programas de saúde pública, através de maior articulação com o SNS, partilha de informação clínica e envolvimento direto no acompanhamento dos doentes ao longo do seu percurso de cuidados.”
  1. Aposta estratégica na Inteligência Artificial
    “O investimento em sistemas de Inteligência Artificial permitirá potenciar o trabalho do farmacêutico, como ferramenta de apoio ao aconselhamento personalizado, à revisão farmacoterapêutica e à deteção precoce de interações Pretende-se maior segurança do doente, redução de erros e uso mais eficiente do tempo clínico, reforçando a qualidade, a proximidade e a sustentabilidade da assistência farmacêutica.”