Apifarma pede ao Governo que atualize os preços dos medicamentos 468

A Associação da Indústria Farmacêutica (Apifarma) diz-se preocupada com o aumento dos custos de produção, tendo já levado até ao Governo as suas preocupações, apelando à tutela para que atualize os preços dos medicamentos, sobretudo dos “mais baratos”, para evitar que alguns produtos sejam descontinuados.

À Lusa, José Redondo, vogal da associação, afirmou que houve este ano uma diminuição do preço dos medicamentos, como vem sendo hábito nos últimos anos, de 2%. Assim, algumas margens podem reduzir-se ao ponto de alguns produtos ficarem com as margem a negativo.

Nesta área, ao contrário de outras, o aumento dos encargos com a produção e distribuição de produtos farmacêuticos, que advém da crise energética, ainda agravada pela guerra na Ucrânia, não podem ser compensados pelo aumento do preço, sendo as margens estipuladas pelo Estado.

“É evidente que para uma empresa, o mais importante é o seu portfólio do conjunto ter uma margem positiva, mas é pouco saudável ter produtos nessas circunstâncias e o risco que pode existir é a necessidade de descontinuar alguns produtos. Claro que a indústria é menos afetada do que a distribuição, mas em Portugal muitas das empresas farmacêuticas oferecem um transporte semanal para os seus principais clientes e assumem esse custo”, afirmou, relacionando a situação com o “aumento significativo do custo” dos transportes.

“Há também muita importação, nomeadamente de princípios ativos provenientes da Índia e da China, e os contentores variam de mês para mês, mas no mínimo quadruplicaram os preços relativamente àquilo que seria o preço médio do ano passado”, disse, ressalvando que este aumento de preços foi agravado pela guerra na Ucrânia, mas já se vinha a sentir.

No final de 2021 havia um forte aumento de preços ao nível dos transportes e da energia devido à dificuldade de transporte com origem na China, “o que tem criado problemas de rutura e de manutenção das cadeias de abastecimento, que é um assunto que preocupa tanto a indústria farmacêutica como o aumento de preços”.

“As cadeias de abastecimento estão cada vez com maiores debilidades, o que, para minimizar, obriga a aumentar os stocks, a antecipar encomendas numa conjuntura de preços altos, tendo assim aqui uma série de fatores que contribuem muito negativamente para a estrutura de custos de produção da indústria farmacêutica”, sublinhou.

Para José Redondo, era importante, “do ponto de vista económico, e mesmo de bom senso, poder haver alguma atualização de preços, sobretudo dos medicamentos mais baratos, que têm dificuldade em poder suportar este aumento de custos, que já ninguém acredita que é temporário”.

Os distribuidores farmacêuticos também estão sofrer os impactos da inflação, estando a sua “grande preocupação” no aumento da energia e dos combustíveis, uma vez que a sua atividade está centrada na armazenagem e no transporte.

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