A Associação de Farmácias de Portugal (AFP) considera que os dados divulgados esta semana sobre a equidade no acesso ao medicamento expõem fragilidades preocupantes no acesso efetivo à saúde em Portugal e exigem uma resposta estrutural e urgente.
Os indicadores conhecidos, incluindo o impacto estimado na mortalidade tratável e nos anos de vida saudável, demonstram que persistem desigualdades significativas no acesso a cuidados. Para a AFP, estes resultados refletem “limitações na organização da rede e na capacidade de intervenção precoce, mantendo o sistema excessivamente centrado na resposta à doença”.
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Neste contexto, as farmácias comunitárias, enquanto rede de proximidade com presença em todo o território e contacto diário com milhões de pessoas, assumem um papel determinante. “A sua capilaridade, disponibilidade e integração nas comunidades colocam-nas numa posição estratégica para reforçar o acesso, promover a deteção precoce e contribuir para uma resposta mais atempada às necessidades da população”, explica, em comunicado, a associação.
A AFP entende que “Portugal continua a investir insuficientemente na prevenção e na literacia em saúde”, sendo que “a identificação precoce de patologias, designadamente na população infantil e nos grupos mais vulneráveis, é determinante para evitar agravamentos clínicos e reduzir pressão futura sobre o sistema”.
Por isso, para a AFP, “embora o impacto destas medidas seja avaliado sobretudo no médio e longo prazo, a ausência de uma estratégia consistente tem consequências diretas na saúde das pessoas”.
A AFP assinala ainda as dificuldades de mobilidade de parte significativa da população, sobretudo em territórios envelhecidos e de baixa densidade, bem como constrangimentos persistentes no acesso, visíveis tanto no setor público como no privado. Estes fatores evidenciam a necessidade de uma rede de cuidados mais articulada e próxima dos cidadãos.
“O reforço da prevenção, da literacia em saúde e da rede de proximidade deve constituir uma prioridade nas políticas públicas, sob pena de se agravarem desigualdades e desfechos clínicos evitáveis”, conclui a AFP.




