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Administrador do IPO de Lisboa alerta para consumos elevados de medicamentos órfãos

 


29 de março de 2017

O administrador do IPO de Lisboa, Francisco Ramos, defendeu ontem uma proteção dos medicamentos órfãos, mas alertou para o aproveitamento da legislação que faz que alguns destes fármacos sejam de «grande consumo e de custos muito elevados».

«Parece que há um aproveitamento da regulamentação favorável aos medicamentos órfãos para criar condições para preços muito elevados para medicamentos que se vêm a revelar na prática pouco órfãos, ou seja, de grande consumo e de custos muito elevados», disse à agência “Lusa” o presidente do conselho de administração do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa.

Para Francisco Ramos, «faz todo o sentido» que haja «uma iniciativa de proteção dos medicamentos órfãos», para tratamento de doenças raras e «cuja utilização será sempre mais reduzida do que medicamentos para doenças de maior prevalência».

No final de uma visita ao serviço farmacêutico do IPO, em que acompanhou a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins, e representantes de todos os grupos parlamentares, Francisco Ramos falou à “Lusa” dos encargos em oncologia.

«Em oncologia [o encargo é grande], estamos a falar de cerca de um terço da despesa que o IPO faz. O ano passado gastou cerca de 120 milhões de euros, e desse valor 40 milhões foram para medicamentos», elucidou.

Segundo o administrador hospitalar, nos últimos dois anos tem-se verificado «uma tendência para o aumento muito rápido do custo com medicamentos», o que exige um reforço dos meios para conseguir «gerir capazmente todo esse volume de produtos” que são “muito caros».

Durante a visita, o diretor do serviço farmacêutico do IPO, Melo Gouveia, disse que naquela unidade são realizados, por ano, 39 mil tratamentos individualizados.

Na farmácia hospitalar, há três milhões de euros em medicamentos, sendo que um terço desse valor serve o ambulatório, onde uma caixa de medicamentos pode custar mais de 20 mil euros, adiantou Melo Gouveia.

Por uma questão de segurança, o doente apenas pode levar para casa uma embalagem de medicamentos por mês.

«São pequenas joias que têm de ser tratadas com alguma cautela pelo seu valor económico», comentou Francisco Ramos.

Mas, «independentemente das razões financeiras e económicas, a segurança de utilização do medicamento é, naturalmente, uma preocupação muito grande e ainda por cima num ambiente de farmácia hospitalar oncológica em que há medicamentos com toxicidades muitíssimo elevadas», explicou.

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