Acesso dos farmacêuticos aos dados de saúde em discussão 718

Oito palestrantes convidados preencheram, na passada quinta-feira, dia 22, três horas de debate sobre a legislação, o caminho percorrido, os desafios e as barreiras, bem como as experiências vividas na primeira pessoa, acerca do acesso aos dados de saúde dos portugueses por parte dos farmacêuticos.

À hora marcada, Bruno Guerreiro, do Movimento para a Valorização da Profissão Farmacêutica, deu início ao Webinar, programado para debater o acesso aos dados de saúde por parte dos farmacêuticos. O painel contou com a representação da Ordem dos Farmacêuticos (OF), da Sociedade Portuguesa de Farmacêuticos dos Cuidados de Saúde, profissionais hospitalares e de farmácias comunitárias.

A sessão foi aberta por Luís Lourenço que, em representação da OF, começou por revelar em que pé o país está no que concerne à permissão para que estes profissionais de saúde se aproximem dos dados dos doentes. “Nós ainda temos um caminho longo a fazer e não há vergonha nisso”, realçou o presidente da Secção Regional do Sul e Regiões Autónomas da OF, dando o exemplo das falhas legais que ainda existem nesta matéria nos Açores. Esta é uma questão que, segundo Luis Lourenço, é uma prioridade da Ordem, garantindo que “o trabalho não parou”.

De uma perspetiva das pessoas que vivem com doença e os seus familiares, Paulo Gonçalves, Presidente da RD-Portugal, quis esclarecer como a recolha e acesso a dados de saúde deve funcionar. “O principal é garantir que os dados estejam centrados no cidadão”, esclarece, algo que, a seu ver, não é cumprido na totalidade. “Nós queremos que os farmacêuticos tenham acesso, temos é que trabalhar em conjunto”, afirma e, por isso, deixou formas de solucionar os problemas que ainda existem. Além de “redesenhar o trajeto do cidadão”, é necessário “pensar nas vantagens para o cidadão; construir com base no serviço prestado; avaliar e melhorar continuamente; melhorar as perguntas.”

No fim da apresentação destes dois especialistas, Bruno Guerreiro deu a palavra aos palestrantes que se juntaram para dar o seu parecer no que toca ao acesso a dados de saúde. João Rijo, farmacêutico hospitalar, partilhou que, no seu caso, “o acesso aos dados roça mais a realidade do que o mito”, alertando, ainda assim, que este cenário não é transversal a todo o país. Antes de passar a palavra, deixou ainda clara a importância de poder aceder ao Registo de Saúde Eletrónico, atualmente só disponível “para médicos e enfermeiros”.

O restante tempo do webinar teve como mote a importância dos farmacêuticos comunitários e a sua necessidade de acesso aos dados clínicos. Luís Campos, Diretor do Serviço de Medicina do Hospital São Francisco Xavier, de uma perspetiva clínica, afirmou que o papel deste profissional é importante na prestação de cuidados, porque “conhece os doentes, acompanha-os e, por vezes, é o único que conhece toda a medicação”. Desta forma, considera que “o acesso aos dados de saúde pode potenciar a sua função”. Já Paula Broeiro, médica de família, reforçou que os farmacêuticos deveriam ter acesso, no mínimo, a “diagnósticos, medicamentos e exames complementares, de função renal, hepática e alergias”.

Por seu lado, Marta Almeida, Especialista em Farmácia Comunitária e Vice-Presidente da Sociedade Portuguesa de Farmacêuticos dos Cuidados de Saúde, trouxe para a sessão vários exemplos de casos em que o acesso aos dados por parte dos farmacêuticos comunitários se teria revelado crucial, confirmando, também, a “necessidade de este ser interventivo” e, por isso, também ele dever poder registar dados, tal como já havia referido João Rijo. A especialista alertou de igual forma para a necessidade de haver um “perfil adequado” para o profissional de farmácia comunitária que acede aos dados. Com foco nesta vertente, também José Feio, farmacêutico hospitalar e Diretor dos Serviços Farmacêuticos do Hospital Universitário de Coimbra, frisou: “o farmacêutico deve estar claramente identificado”.

A sessão, que teve como media partners as revistas FARMÁCIA DISTRIBUIÇÃO e FARMÁCIA CLÍNICA, estendeu-se por quase três horas e, no fim, entre agradecimentos a todos os presentes, Bruno Guerreiro revelou que, durante aquele tempo, haviam estado a assistir à discussão mais de 150 pessoas.

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