575 mil euros/dia gastos com medicamentos para diabetes, encargos crescem 400% em treze anos 224

29 de julho de 2014

O Serviço Nacional de Saúde gastou em média no ano passado 575 mil euros por dia em medicamentos para a diabetes, com os encargos a aumentarem cerca de 400% nos últimos treze anos.

Segundo um estudo da Autoridade Nacional do Medicamento (INFARMED), em 2013 a despesa do Estado com estes fármacos atingiu os 210 milhões de euros, quase um quinto do total dos medicamentos em ambulatório.

O trabalho, que será publicado no próximo boletim da instituição, defende que a despesa com os medicamentos para a diabetes «aumentou significativamente», concluindo ainda que deve ser promovida «uma utilização mais racional» destes medicamentos, que traria «importante ganhos para o Serviço Nacional de Saúde (SNS)».

Na última década, 2013 foi o ano com mais gastos, atingindo-se 210 milhões de euros, o que significa uma média de 575 mil euros por dia despendidos com fármacos para diabéticos.

Contudo, o crescimento dos gastos foi bastante superior ao aumento da utilização dos medicamentos, «o que significa que se começaram a utilizar alternativas de tratamento mais dispendiosas».

No período de 2000 a 2006, o peso destes medicamentos rondava 5%, enquanto atualmente se situa nos 18% do total dos encargos do SNS em ambulatório.

Apesar de entre 2000 e 2013 ter duplicado o consumo de fármacos para controlar a diabetes, o aumento da despesa foi bastante superior.

Acresce, segundo as autoras do estudo, que «os resultados em saúde ainda não apresentam igual tendência»: Portugal tem das taxas mais elevadas de prevalência da doença e deu-se um aumento dos reinternamentos ou das amputações de membros inferiores.

O estudo comparou o tipo de utilização de medicamentos em Portugal com outros sete países europeus: Inglaterra, Dinamarca, Holanda, Espanha, Alemanha, Itália e França.

Portugal é o país que apresenta menor proporção de recurso às insulinas e maior proporção de uso de uma classe de fármacos denominada inibidores da DPP-4.

Além disso, Portugal é o país que menor utilização faz do fármaco que é considerado o de primeira linha no tratamento da diabetes tipo 2.

«Se Portugal apresentasse um padrão de utilização mais similar ao dos outros países analisados (…), o SNS poderia obter poupanças ao nível dos medicamentos para o controlo da diabetes que poderiam ser alocadas à prevenção desta patologia», referem as investigadoras do INFARMED, citadas pela “Lusa”.

As poupanças médias potenciais alcançariam os 34 milhões de euros e poderiam chegar aos 75 milhões caso fosse adotado o padrão de consumo de Inglaterra.

Envie este conteúdo a outra pessoa