
Chegados ao fim do ano, é altura de fazer balanços e estabelecer metas (para 2026). O NETFARMA pediu a várias instituições do setor farmacêutico que fizessem isso mesmo, destacando conquistas de 2025, falhas ou lições aprendidas durante o ano e apostas para 2026.
Do ponto de vista da Associação Portuguesa de Farmacêuticos para a Comunidade (APFPC), “a nível profissional, este ano ficou bastante aquém das nossas expectativas”, declara Bruno de Campos Guerreiro, o seu presidente.
Falhas e Lições de 2025
“As principais falhas que destacamos prendem-se com projetos, iniciativas e promessas legislativas, que caíram por terra em 2025 ou que ainda não se concretizaram. Nomeadamente, a entrega de medicamentos hospitalares em proximidade, que deveria ter-se iniciado em 2024 e ainda não o foi em 2025. A intervenção dos farmacêuticos comunitários em situações clínicas ligeira que, apesar de no princípio do ano existirem discussões e propostas, tanto do Governo como da Assembleia da República, para a criação de projetos piloto e regulamentação, parece ter saído da agenda nesta nova legislatura após a queda do Governo em Março. Desilusão também pela chamada renovação da terapêutica crónica não ter ainda evoluído para uma efetiva renovação por parte dos farmacêuticos comunitários, o que poderia contribuir grandemente para a eficiência do nosso sistema de saúde, pese embora tenhamos agora mais flexibilidade para gerir a escassez de alguns medicamentos através da disponibilização das justificações técnicas para substituição de tamanhos de embalagens e dispensa de prescrições expiradas que continham medicamentos esgotados.”
Conquistas de 2025
“No que diz respeito às conquistas, destacamos o Pacto pela Valorização da Profissão e da Atividade do Farmacêutico Comunitário, uma iniciativa da APJF à qual a APFPC se associou assim que foi desafiada e que gerou um abrangente consenso institucional no nosso sector, resultando num memorando de entendimento para reforçar o papel, as condições de trabalho e o desenvolvimento profissional dos farmacêuticos comunitários em Portugal.
A nível mais interno, conseguimos em 2025 reforçar o nosso papel na optimização e excelência profissional dos farmacêuticos comunitários com a realização de formações profissionais de relevo e muito significado para o exercício profissional diário, bem como na promoção da literacia em saúde, no reforço da proximidade com os doentes e o envolvimento destes na discussão do papel do farmacêutico comunitário no sistema de saúde através da continuidade da nossa iniciativa O Farmacêutico e o Doente. Iniciativa esta que venceu o Prémio TECNIGEN Farmácias Comunitárias no princípio do ano, o que representa um importante reconhecimento para a APFPC e para este projecto que nos orgulha, e do qual vemos com agrado começar a aparecer iniciativas de outras entidades que em muito o mimetizam.”
Apostas para 2026
“Como apostas para 2026, algo muito significativo seria o acesso aos dados clínicos relevantes dos utentes, através do Espaço Europeu de Dados em Saúde – European Health Data Space (EHDS), uma reivindicação antiga dos farmacêuticos e essencial para um exercício profissional mais consciente, integrado e, acima de tudo, seguro.
Além disso, uma maior integração dos farmacêuticos com outros níveis de cuidados de saúde, com a criação de canais de comunicação efetivos, essenciais para que se concretizem muitas das iniciativas das quais já falamos há anos e ainda estão por realizar, nomeadamente e novamente, a entrega de medicamentos hospitalares em proximidade, a intervenção em situações clínicas ligeiras, a referenciação farmacêutica e uma verdadeira renovação da terapêutica crónica pelos farmacêuticos comunitários. Esperamos que possam finalmente ser realidade.
Esperamos também que do Pacto que subscrevemos nasçam mais consensos entre Sindicato, Associações Sectoriais e a Ordem dos Farmacêuticos que permitam a valorização da profissão e do farmacêutico comunitário, que permitam a optimização e a excelência no exercício profissional, sempre de encontro às necessidades e expectativas dos utentes, mas que acima de tudo tornem o exercício profissional mais gratificante para os farmacêuticos comunitários.
Em 2026, tudo o que esteja ao nosso alcance será feito com esse objetivo. Pela optimização profissional continuaremos a desenvolver formação relevante e com impacto na prática diária. Pela valorização profissional continuaremos a ser a voz do farmacêutico comunitário, a entidade representativa de todos os farmacêuticos que exerçam em contexto de proximidade. E continuaremos a promover o papel que os farmacêuticos têm na sustentabilidade e na eficiência do sistema de saúde Português, e na saúde e bem estar das pessoas que nos procuram.”




