15.º Congresso das Farmácias e Expofarma’26: Um programa que afirma a Farmácia como um meio e não como um fim 81

O setor da farmácia comunitária deixou de discutir apenas o seu papel e passou a debater formas de o executar. Pode parecer uma nuance semântica, mas essa mudança vê-se, de forma clara, na arquitetura do programa do 15.º Congresso das Farmácias.

Ao longo de três dias, o modelo combina sessões plenárias, keynotes, sessões paralelas e apresentações científicas, cruzando visão estratégica com aplicabilidade prática. Mantendo o lema “Pela Saúde, cuidamos com proximidade”, o programa estrutura-se em torno de três eixos – humanização, inovação e sustentabilidade -, abordados agora com maior maturidade: já não se discute apenas “se” a farmácia deve evoluir, mas “como” operacionalizar essa evolução no terreno.

As sessões plenárias surgem como momentos de enquadramento estratégico, abordando o posicionamento das farmácias no sistema de saúde, a sustentabilidade do modelo e a integração nos percursos assistenciais, assuntos que continuam a marcar a agenda política e setorial. Já as sessões paralelas traduzem essa visão em áreas concretas de intervenção, permitindo aprofundar temas como a prática clínica, a inovação em serviços e a transformação digital.

Há também um reforço evidente da componente científica e profissional. As apresentações orais e a valorização dos pósteres mostram um setor que quer evidência, resultados e impacto. A farmácia quer afirmar-se não só como parte do sistema, mas como produtora de conhecimento dentro dele.

Entre os temas que ganham particular relevância neste congresso, destaca-se a apresentação do estudo sobre o impacto e valor social das farmácias em Portugal — um contributo essencial para quantificar e evidenciar o contributo das farmácias na saúde e na vida das populações. Este olhar é enriquecido pelo cruzamento com realidades internacionais, trazidas por alguns dos oradores convidados, permitindo enquadrar o caso português num contexto mais amplo e reforçar a capacidade de benchmarking do setor. Mais do que validar o que já se faz, trata-se de identificar caminhos de evolução sustentados em evidência e comparabilidade.

Outro aspeto marcante do programa é a crescente valorização do cruzamento interprofissional. O congresso não se fecha sobre a farmácia enquanto realidade isolada; pelo contrário, abre-se ao diálogo com outros profissionais de saúde, refletindo a necessidade de modelos mais colaborativos e integrados. Esta abordagem traduz uma preocupação clara: garantir que a organização dos cuidados responde de forma mais eficaz e coordenada às necessidades reais das pessoas.

E é precisamente aqui que o programa encontra o seu fio condutor mais forte. Apesar de a farmácia ser o tema central, o verdadeiro foco está nos destinatários dos cuidados. As pessoas surgem no centro das discussões — seja quando se fala de acesso, de acompanhamento terapêutico ou de integração de cuidados. A farmácia afirma-se, assim, como meio e não como fim: um instrumento ao serviço de melhores resultados em saúde.

Mas se o Congresso define o “pensamento”, na Expofarma 2026 esse pensamento ganha forma. A feira surge integrada no próprio ritmo do programa, funcionando como extensão natural das discussões em sala. Aqui, a inovação deixa de ser conceito e passa a experiência concreta: soluções tecnológicas, novos serviços, modelos de negócio e ferramentas de suporte às farmácias materializam aquilo que o congresso conceptualiza. Entre ambos, constrói-se o que verdadeiramente importa para o setor: a passagem da visão à prática.

No fundo, o programa do 15.º Congresso das Farmácias revela um setor que está a ganhar escala — não apenas em ambição, mas em capacidade de concretização. Ao cruzar estratégia, ciência, inovação e colaboração num único espaço, o evento deixa de ser apenas um ponto de encontro e afirma-se como uma plataforma de transformação.

E talvez seja esse o seu maior mérito: não apenas discutir o futuro das farmácias, mas fazê-lo com um propósito claro: melhorar a resposta em saúde às pessoas.

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Paulo Fernandes
Presidente da Comissão Organizadora