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Estudo: SNS está mais sustentável, despesa cresceu menos

 


07 de março de 2017

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) está mais sustentável, de acordo com um estudo que é hoje apresentado em Lisboa e que indica que em 2016 o financiamento aumentou e a despesa cresceu menos.

Segundo o estudo, desenvolvido pela Nova Information Management School (Nova IMS), da Universidade Nova de Lisboa, o financiamento do SNS subiu 3,1% e a despesa cresceu 1,2%, menos do que tinha acontecido em 2015.

Se em 2015 o financiamento do SNS se tinha ficado nos 8,65 mil milhões de euros (mais 0,4%), no ano passado este valor subiu 3,1% para os 8,93 mil milhões de euros.

Já a despesa, que tinha crescido 1,7% para os 9,03 mil milhões de euros em 2015, no ano passado subiu menos, atingindo os 9,13 mil milhões de euros (mais 1,2%), o que contribuiu para aumentar o índice de sustentabilidade do SNS (passou de 100.2 para 102.2).

O índice de sustentabilidade é calculado tendo em conta não só a qualidade dos cuidados de saúde na ótica dos cidadãos, como também os indicadores disponíveis sobre a qualidade técnica do SNS, a atividade registada e a despesa.

Em declarações à agência “Lusa”, Pedro Simões Coelho, investigador da Nova IMS, explicou que o índice de sustentabilidade, que tinha sido estabelecido em 2014 com base 100, teve pela primeira vez um crescimento significativo.

«O índice tinha tido uma evolução marginal e este ano, pela primeira vez, teve uma evolução positiva (…), o que resulta, por um lado, de um crescimento da atividade, que estimamos em 1,6%, e simultaneamente do crescimento da qualidade, não da qualidade percecionada [pelos utentes] – essa estabilizou nos últimos três anos –, mas sobretudo da qualidade técnica, que evoluiu mais de seis pontos entre 2015 e 2016», afirmou.

Este movimento, sublinhou, foi conseguido «com um crescimento da despesa a uma taxa inferior à da atividade».

«É um SNS mais produtivo do que era, a atividade cresceu mais do que a despesa, é um sistema que com a mesma despesa consegue ter nível de qualidade significativamente superior», sublinhou o investigador.

Sob o ponto de vista da atividade, o estudo indica que aumentou o número de doentes atendidos tanto nos hospitais como nos serviços de saúde primários, mas esta subida foi mais significativa nos cuidados primários (2,1%).

A qualidade do SNS na ótica dos utentes baixou ligeiramente para os 68.3 pontos (- 1,2), mas a qualidade técnica – que usou 13 indicadores validados e ponderados por um grupo de peritos – subiu para os 68,5 pontos (+3,4).

A qualidade técnica é calculada usando, entre outros, indicadores como a sépsis pós-operatória, a mortalidade pós AVC (hemorrágico ou isquémico), o reinternamento a 30 dias e as cirurgias em ambulatório, entre outros.

Para os autores do estudo, a eficácia do SNS, que tinha baixado entre 2014 e 2015, aumentou no ano passado, subindo para 71.1 pontos (+0,9).

«Significa que está a 71% do que seria um sistema perfeito. É um sistema eficaz no seu contributo para qualidade de vida e de saúde da população, mas também é um sistema que tem tido um impacto significativo quer no estado de saúde da população quer na redução de comportamentos que têm impacto económico [absentismo laboral]», explicou.

Para medir a eficácia foram usados indicadores como a produtividade, o absentismo dos cidadãos com problemas de saúde, a qualidade de vida dos cidadãos e o seu estado de saúde para perceber como é que o recurso aos serviços de saúde teve influência na melhoria destes valores. Como novos indicadores este ano aparecem a ansiedade e depressão, os cuidados pessoais, a dor/mau estar, a mobilidade e a realização das tarefas diárias.

O estudo demonstra que o investimento em saúde tem impacto no absentismo, produtividade, na qualidade de vida e que dá origem a um retorno económico e social.

Quanto ao impacto no absentismo, os autores indicam que diminuiu em 2016 o número de pessoas que não faltaram um único dia ao trabalho por questões de saúde (suas ou de familiares), assim como as que faltaram por períodos mais prolongados - mais do que 11 e mais do que 20 dias.

No sentido inverso, aumentou a percentagem de população que faltou ao trabalho entre um a dois dias (passou de 10,5 para 13%), entre três a cinco dias (de 16,1 para 16.9%) e entre 6 a 10 dias (de 6 para 9,3%).

Ao avaliar o impacto laboral/absentismo, o estudo concluiu que se não tivessem recorrido aos serviços de saúde os portugueses faltariam mais 1,6 dias ao trabalho, o que se traduz num impacto de 2,2 mil milhões de euros (em salários).

Com um universo de cidadãos acima dos oito milhões (pessoas com 18 ou mais anos), o estudo abrangeu a realização de 500 entrevistas, em fevereiro, cujos resultados foram «extrapolados para o universo segundo uma pós-estratificação que tem por base as variáveis género e classe etária».

O estudo é hoje apresentado na 6.ª Conferência "Sustentabilidade na saúde 4.0 – Investimento em saúde e impacto na vida laboral", que vai decorrer no CCB, em Lisboa.