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Investigação: Detetados 32 fármacos nas águas do Tejo

 

 

14 de setembro de 2018

Foram identificados 32 fármacos nas águas do estuário do Tejo, no âmbito de uma investigação, anunciou a Universidade de Lisboa em comunicado.

Entre as substâncias encontradas estão resíduos de antibióticos, de anti-hipertensivos e anti-inflamatórios, que «foram encontrados em mais de 90% das amostras de água recolhidas em toda a extensão do estuário». Foram ainda identificados antidepressivos, reguladores lipídicos e antiepiléticos.

«A presença destes compostos resulta do uso e consequente libertação contínua destes produtos nas águas residuais», explica a instituição no mesmo comunicado.

As maiores concentrações de fármacos foram observadas em áreas próximas da saída dos efluentes de tratamento de águas residuais, na margem norte da Área Metropolitana de Lisboa e na zona sul do estuário, próximo de Almada e da desembocadura do Tejo.

Esta investigação envolve 32 investigadores e as conclusões serão publicadas na edição impressa de outubro da “Marine Pollution Bulletin”.
Este trabalho, que decorre até 2019 é coordenado por Vanessa Fonseca, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE — Universidade de Lisboa), surge no âmbito do projeto Biopharma. O projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

«Recentes diretivas europeias realçam a importância de avaliar a contaminação por fármacos no ambiente, dado o seu potencial para afetar as comunidades biológicas», sublinha no documento a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. O principal objetivo do Biopharma, iniciado em 2016, é avaliar os efeitos da exposição a fármacos em organismos estuarinos.

O próximo passo da equipa passa por determinar a presença de resíduos farmacêuticos em plantas, crustáceos, bivalves e peixes, a par da avaliação do potencial de acumulação ao longo das cadeias alimentares.