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Conferência MF Talks: Patient Services debatidos pela IF e pela Farmácia

13 de Abril de 2016

Os programas de apoio aos pacientes fornecidos pela Indústria Farmacêutica (IF) devem ser «orientados para melhorar resultados em saúde», mas as autoridades ainda os encaram com uma certa «desconfiança», esta foi uma das conclusões apresentada por Maite Artés, Managing Director, Adelphi Spain, durante a Conferência Mf Talks Patient Services: Serviços à medida do negócio, que decorreu ontem à tarde, no Pestana Sintra Golf Conference & Spa Resort.

A oradora principal do evento, organizado pela revista Marketing Farmacêutico, realçou que, para além da desconfiança das autoridades perante as iniciativas desenvolvidas pelas empresas, que visam apoiar os doentes, as próprias companhias também estão condicionadas pelo reduzido retorno sobre o investimento, associado ao desenvolvimento destes projetos.

Também os médicos surgem como um condicionante externo ao desenvolvimento destas atividades, apresentando uma reduzida disponibilidade e um fraco interesse em colaborar no âmbito dos programas.

Esta é uma opinião partilhada por Miguel Gomes, médico, Faculty Fellow Pharmaceutical Medicine, UK, que acredita que «os médicos estão cada vez mais na sua rotina diária e não olham para estas questões, mas deviam olhar». No entender do participante do debate, moderado por Luís Vasconcelos Dias, Pharma & Healthcare Consultant, para além dos médicos, também as associações de doentes devem ser encaradas como parceiros «importantíssimos» da Indústria Farmacêutica.

Isabel Saraiva, representante da Respira, associação que se dedica às doenças respiratórias crónicas, questionou, perante uma plateia composta por cerca de 50 profissionais do setor, o facto de existirem poucas informações nos sites portugueses das companhias da Indústria Farmacêutica, ao passo que, nas páginas norte-americanas são disponibilizadas inúmeras informações e vários contactos para qualquer ajuda ou esclarecimento.

Esta diferença, apontada pela representante da Respira, é motivada, no entender de Sofia Oliveira, Regulatory Affairs Lead EMEA Mid Europe Region & Country Lead Portugal, MSD, pela restrição da regulamentação portuguesa: «É assustador o panorama regulamentar», realçou.

Mas para a representante da MSD, a própria Indústria «ainda tem um longo caminho a percorrer», dado que não está a «ouvir os doentes a 100%».

Paulo Sousa, Country Manager, Abbott Diabetes Care, também defendeu que estamos «nos primórdios desta abordagem central ao doente», lembrando que no setor da Healthcare, «há indústrias mais centradas no doente do que a IF».

Por fim, Ema Paulino, Diretora de Projetos e Serviços  das Farmácias Holon, apresentou uma perspetiva mais direcionada para as farmácias comunitárias, valorizando a importância das app e de outros serviços web, mas lembrando a utilidade da proximidade dos farmacêuticos em relação aos utentes.

«O contacto próximo dos farmacêuticos permite atender o cidadão de uma forma personalizada» e com as suas competências, estes profissionais são capazes de «fazer ajustes e customizar os programas para ir ao encontro das necessidades dos cidadãos», rematou Ema Paulino.

Esta Conferência MF Talks contou com o apoio dos Pestana Hotels & Resorts e da IMS Health.

A revista Farmácia Distribuição e o Portal Netfarma foram media partners do evento.

Vídeo com entrevistas aos oradores disponível aqui.