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Bastonária OF: Desinvestimento na saúde traduz-se nos indicadores negativos da OCDE

 


13 de novembro de 2017

A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos alertou para o impacto do desinvestimento na saúde, que se traduz em indicadores como os divulgados pela OCDE, segundo os quais um em dez portugueses não compraram medicamentos por motivos financeiros.

O relatório Health at a Glance 2017 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), divulgado, refere que um em cada dez portugueses não comprou medicamentos prescritos pelo médico por motivos financeiros no ano passado.

Portugal surge acima da média dos países da OCDE nesta matéria, uma média que está nos 7,1%, e poucos países da União Europeia descritos no relatório estão na mesma situação.

Para a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins, «isto é claramente um reflexo da enorme desigualdade em Portugal, porque não é só no acesso aos medicamentos que as pessoas têm dificuldades».

«Com o grande desinvestimento no Serviço Nacional da Saúde (SNS), registado nos últimos anos, a grande instabilidade em relação aos próprios regimes de convenção e, apesar das medidas tomadas, com impactos negativos no preço dos medicamentos, os portugueses continuam a não conseguir comprar os medicamentos que, inclusive, têm dos preços mais baixos da Europa», disse citada pela "Lusa".

Segundo Ana Paula Martins, «apesar dos sinais de alguma recuperação, continuam a sentir-se os efeitos devastadores de uma crise devastadora que atingiu o setor».

«Isto não se corrige de um dia para o outro nem de um ano para o outro», alertou, acrescentando: «Por alguma razão somos também um dos países com maior consumo de antidepressivos».

O relatório Health at a Glance 2017 traça uma visão geral da saúde dos 35 países da organização, mas reporta-se a alguns dados de 2016 e a vários de 2015.