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Medicamento para o alcoolismo indisponível nas farmácias desde novembro

 


13 de março de 2018

Desde novembro que o medicamento Tetradin, usado no tratamento de indivíduos que sofrem de alcoolismo, deixou de estar disponível nas farmácias em Portugal, de acordo com uma notícia avançada pelo jornal “Público”.

Perante esta situação, que tem prejudicado centenas de doentes, duas centenas de profissionais da área e familiares de doentes subscreveram, no início deste mês, uma petição pública pedindo «a reposição imediata deste medicamento no mercado português».

Capaz de aumentar em 30% o sucesso no tratamento da dependência alcoólica, o medicamento cuja substância ativa é o dissulfiram continua à venda em países vizinhos como Espanha e França, segundo a referida petição.

A sua indisponibilização nas farmácias portuguesas «compromete gravemente a saúde» de muitos alcoólicos em tratamento que, sem hipóteses de recorrerem àquele antagonista e sem qualquer outro medicamento similar a que possam recorrer, tendem a recair no consumo.

«Era uma arma interessante, e o facto de não podermos contar com ela prejudica claramente o tratamento de muitos doentes, fundamentalmente aqueles que têm uma grande dificuldade em parar de beber», explica Ana Feijão, coordenadora da Unidade de Alcoologia do Centro. Na prática, o dissulfiram funciona para os doentes «como uma espécie de policiamento de si próprios», isto é, «eles sabem que estando a tomar o antagonista não podem beber, sob pena de sofrerem sintomas físicos muito desagradáveis».

Dizendo-se também preocupados com a «situação grave» que atravessam os doentes que estavam a fazer aquela terapêutica (alguns dos quais estão a ser aconselhados pelos seus médicos a adquirirem o medicamento em Espanha, se tiverem condições económicas para tal), os deputados do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda perguntaram entretanto ao ministro da Saúde por que motivo a empresa titular de autorização de introdução no mercado do Tetradin não disponibiliza o medicamento no mercado português e quando é que este vai ser de novo disponibilizado.

Na petição, os autores dizem ter recebido do INFARMED a indicação de que o medicamento vai regressar ao mercado em abril.